Supertaça "militar"
A equipa do 1º de Agosto foi a justa vencedora da Supertaça porque apresentou melhor preparação física e um futebol mais eficaz
Fotografia: Kindala Manuel
O jogo da segunda-mão da Supertaça consagrou o 1º de Agosto, mas foi também uma vitória do futebol angolano. Os jogos das duas mãos mostraram que vamos ter um Girabola de alto nível competitivo e pelo menos o 1º de Agosto e o Petro de Luanda dão garantias de que vão praticar ao longo da época um futebol de qualidade executado por atletas com excelente preparação física e dotados de técnica elevada.
O Petro entrou melhor no jogo e como lhe competia partiu logo à procura do golo, para tentar igualar a eliminatória. O caudal ofensivo dos “Petrlíferos” remeteu os “Militares” para a sua defensiva e a defesa teve algumas oscilações comprometedoras. No jogo do tudo ou nada os defesas não podem jogar de uma forma tão macia como o fizeram aos nove minutos de jogo quando Job inaugurou o marcador, num remate de cabeça em que os “centrais” viram jogar e Wilson nos deu a impressão que não fez tudo para evitar o pior.
O golo madrugador do Petro de Luanda deixou os “Militares” desorganizados no meio campo e a defesa ainda oscilou mais. Mas Kali mostrou porque razão é um verdadeiro reforço e pôs ordem no “quartel”. Em breve Roger, Castigo e Elísio se apoderaram do meio campo e sacudiram a pressão. À passagem dos 15 minutos o jogo estava equilibrado e só não estava empatado porque o árbitro ignorou uma grande penalidade clara cometida sobre o “número oito” dos “Militares”.
Aos 27 minutos, o 1º de Agosto mostrou que estava em campo para ganhar e não apenas para ver o Petro desfilar. Danny, do meio da rua, desferiu um potente remate que Lama defendeu a custo para canto. Este foi o sinal dado às tropas do Rio Seco para avançarem sobre o adversário e tomar conta do jogo. Durante dez minutos, os “Militares” desfrutaram de mais algumas oportunidades de golo e Roger, à frente de Lamá, a um metro da baliza, entregou-lhe a bola.
O momento de maior emoção foi quando Danny, numa tabela perfeita com Roger apareceu isolado na cara de Lamá mas rematou à queima-roupa contra o guardião contrário. Neste período, o Petro de Luanda tinha desaparecido do jogo e o 1º de Agosto mostrava que a taça ainda não estava entregue. Longe disso.
À entrada dos 40 minutos, Castigo só não fez o 2-1 porque Lamá fez a defesa da tarde. O Petro percebeu que tinha de sacudir a pressão se queria ir para os balneários com a magra vantagem. E num contra-ataque perigoso, conduzido por Mabiná, que fez um jogo sem de alto nível, o jovem Joka recebeu a bola na área, tirou um adversário da frente e rematou colocado a centímetros do poste. O cronómetro marcava 45 minutos de jogo e por pouco a sorte do jogo não ficava ali decidida.
Prontidão combativa
O segundo tempo foi outro jogo e teve uma história completamente diferente. Os “Militares” carregaram sobre o adversário e nunca mais perderam o controlo do jogo. Kali na defesa, Castigo no meio campo, Pascal e Danny lá na frente puseram sempre a defesa do Petro de Luanda em sobressalto e Lamá só não sofreu vários golos porque o “tiro” final nunca saiu bem.
O falhanço mais escandaloso aconteceu aos 55 minutos quando numa incursão pela direita a bola foi centrada para dentro da pequena área e ao segundo poste, Pascal não conseguiu introduzir a bola na baliza.
Nesta fase do jogo era claro que o Petro de Luanda estava com falta de ar. O ritmo elevado a que se jogou toda a primeira parte e os primeiros 15 minutos do período complementar deixou mossas nas principais unidades do meio campo que ficaram em nítida inferioridade física. Mas o “estoiro” foi colectivo. Veio ao de cima a melhor preparação física dos “Militares” que nunca mais perderam o controlo do jogo e aceleraram ainda mais, obrigando os jogadores do Petro de Luanda a correr sem terem forças para isso. Os jogadores do Rio Seco mostraram ao público que encheu a Cidadela o que é a “prontidão combativa”.
Para se fazer uma ideia do desnível na segunda parte basta dizer que o Petro de Luanda só aos 85 minutos criou perigo com um remate potente de David que Wilson defendeu para canto. E quando no segundo minuto dos descontos Danny marcou o golo do empate, a justiça no marcador acabava de entrar em campo. Malamba (que fez um grande jogo) fez uma falta à entrada da área e Danny marcou muito bem para o lado direito da baliza batendo Lamá.
O empate tem ainda maior sabor a justiça se tivermos em conta que o árbitro Pedro Santos fez uma arbitragem desastrosa que beneficiou claramente a equipa do Petro de Luanda. Algumas intervenções do árbitro foram mesmo escandalosas, como aquela em que mostra o cartão amarelo a Fofaná, já no fim do jogo, por não ter conseguido evitar o choque com Lamá quando ambos foram disputar a bola.
DOSSIER - PROJECTOS DA CONSTITUIÇÃO
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