Egípcios em choque
Jogadores do Al Ahly fogem assustados em direcção aos balneários para evitar a fúria da multidão de adeptos da equipa adversária
Fotografia: DR
O futebol egípcio viveu, quarta-feira, a noite mais negra da sua história devido a uma batalha campal que vitimou pelo menos 79 pessoas e feriu centenas no jogo entre o Al-Masry e o Al-Ahly, cuja equipa técnica é formada por Manuel José, Pedro Barny e Fidalgo Antunes, trio de portugueses que escapou ao pior e se encontra a são e salvo.
Os confrontos mais violentos decorreram após o final do encontro, quando adeptos do Al-Masry - equipa da casa, que venceu por 3-1 - invadiram o campo para atacar adeptos e jogadores do Al-Ahly armados com pedras, garrafas e facas. Perante um cenário de caos, os atletas da formação do Cairo procuraram refúgio nos balneários e foram seguidos por alguns dos seus adeptos, que, segundo a imprensa local, morreram em plena cabine, enquanto estavam a ser atendidos pelo médico do Al-Ahly.
De acordo com Ahmed Nagy, treinador de guarda-redes do campeão egípcio, a grande maioria das vítimas apresentava sinais de esfaqueamento. Ainda no balneário, o capitão do Al-Ahly, Aboutrika, deu conta do cenário de terror vivido pelos jogadores e apelou à suspensão do campeonato egípcio.
“Isto é uma guerra e estão pessoas a morrer à nossa frente. O nosso balneário parece uma morgue. Não há segurança, não há ambulâncias... não há nada. Isto é uma tragédia que nunca vamos esquecer e temos que parar este campeonato”, apelou Aboutrika, antes de a polícia de intervenção ter retirado todos os integrantes da equipa visitante do recinto e detido 47 pessoas suspeitas de terem iniciado o confronto.
O clássico entre as duas equipas mais representativas das cidades de Port Said e do Cairo costuma ser marcado por uma intensa rivalidade, mas a gravidade dos confrontos tem aumentado desde a revolução que depôs o presidente Hosni Mubarak em Novembro de 2011.
Com a tomada do poder por uma junta militar, a polícia egípcia apresenta claros sinais de desorganização a nível hierárquico e tem-se revelado pouco eficaz no controlo de uma população ainda bastante dividida entre o velho e o novo regime. Para além disso, as forças policiais continuam, na sua grande maioria, fiéis ao presidente deposto e a imprensa egípcia suspeita que possam estar ligadas aos incidentes registados quarta-feira por “vingança”, pois a claque do Al-Ahly - os Ultras - desempenhou um papel bastante activo nas manifestações que decorreram na Praça Tahrir do Cairo. Estas suspeitas ganham uma nova dimensão, quando confrontadas com os testemunhos de quem estava presente no relvado, onde o estranho desaparecimento dos polícias e soldados que faziam a segurança do estádio foi referido por inúmeras vezes, inclusive pelo técnico Manuel José.
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