Companhia de Dança Contemporânea estreia coreografia no Cine Nacional
A Companhia de Dança Contemporânea de Angola (CDC) apresenta no dia 18, às 20h00, a mais recente coreografia, “Peças para uma sombra iniciada e outros rituais mais ou menos”, de autoria e direcção artística de Ana Clara Guerra Marques.
O espectáculo, que vai ser apresentado nos dias 18, 19, 24, 25 e 26 às 20h00, e 20 e 27 às 17h00, realiza-se no Cine Teatro Nacional e tem a participação de cinco bailarinos da CDC e três do grupo Yaka, além de Rossana Monteiro, da Dançarte.
Com coreografia de Ana Clara Guerra Marques, o espectáculo, que abre a temporada de estreia da Companhia de Dança Contemporânea, foi montado com base em extractos de textos do livro de Américo Correia de Oliveira, “Do imaginário africano.
Os contos cokwe são apresentados pelas vozes de Engrácia Pombo (kimbundu), Maria Kissoka (kikongo), Domingos Isanzu (ucokwe) e Tomás Albino (umbundu).
Baseado, também, nas entrevistas de campo efectuadas por Ana Clara Guerra Marques e David Mwa Mudiandu, o espectáculo tem produção executiva de Jorge António.
Ana Clara Guerra Marques disse que a nova coreografia do grupo “permite aos espectadores entrar no universo das sombras, dos ogros e dos sonhos que se dissipam com os rituais da iniciação”.
“É um olhar sobre o que há de mais profundo no saber da tradição oral, mas, também, no íntimo de cada um de nós. São as histórias que se ouvem, os mitos, os tabus e uma infinidade de personagens que povoam a mente de quem quer e não quer ver tudo revelado”, frisou.
“Peças para uma sombra iniciada e outros rituais mais ou menos” são, frisou, os “aspectos ligados à insegurança da infância e à rebeldia da adolescência”. “Daremos às pessoas uma dança assente na imagem das máscaras que, ao ultrapassar o domínio da matéria, pretende transcender o ser humano. Através dele mudaremos de estatuto e renasceremos”, declarou.
Focando especialmente as emoções e os conflitos, onde “corpos simples e complexos sofrem mutações e provações que necessitam vencer para serem aceites como novos, puros e diferentes”, o espectáculo é, também, referiu Ana Clara Guerra Marques, uma alternativa de investimento para investigação.
Ao assisti-lo, explica, descobrem-se outras “máscaras físicas, sociais e novos rituais, explorados num contexto actual e urbano”, levando a plateia ao “plano das emoções e dos sentimentos, onde em cada dia se visitam novos desconhecidos”.
Há na nova coreografia, acrescento, um “afago que actualiza a tradição e a transforma num suporte inevitável do contemporâneo em todas as suas transições”. “Já se passaram mais de 20 anos desde que mergulhei profundamente no estudo da cultura angolana”, lembrou, acrescentando:
“Hoje regresso à coreografia para escrever uma nova tese, desta vez organizada em formato não convencional, num exercício de partilha e reflexão”, disse.

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