Cultura

Goli Guerreiro apresenta livros de emigrações da cultura negra

Francisco Pedro | - 29 de Outubro, 2010

A escritora brasileira Goli Guerreiro apresentou na quarta-feira, no Cine Nacional, os livros “Terceira Diáspora – O Porto da Bahia” e “Terceira Diáspora – Culturas Negras no Mundo Atlântico”.
O primeiro livro apresenta um roteiro de 21 cidades do mundo Atlântico, como Kingston (Jamaica), Dakar (Senegal), Havana (Cuba), Londres (Inglaterra) e Luanda (Angola), sobre a qual é feito um esboço cultural do movimento luandense dos séculos XX e XXI.
O segundo livro é uma cartografia da produção cultural de Salvador e aborda apenas aspectos sobre a Baía, do ponto de vista da fotografia, cinema, pintura, moda e música.
Ao apresentar os livros, Goli Guerreiro exibiu dezenas de fotografias sobre manifestações culturais em diferentes cidades do litoral atlântico, no caso de Salvador, sua terra natal, Havana e Luanda.
A escritora, que se preocupa com a antropologia estética, informou que a sua obra espelha a recriação e o partilhar de culturas, o que ela considerou ser um processo infinito.
Na sua óptica, a designação “Terceira diáspora”, que dá título aos livros, significa a troca de informações, signos e símbolos, que acontece actualmente com regularidade através da Internet. Goli Guerreiro destaca, ainda, as viagens dos africanos e seus descendentes pelo mundo, que ajudaram a criar cidades negras e mestiças ao longo das Américas e Europa.
“Essas viagens permitiram-nos recriar informações, práticas culturais, objectos de arte, livros, filmes, discos, cujo conteúdo revelam um mundo atlântico negro mais abrangente de todos nós”, frisou.
Segundo a escritora, ao pesquisar esses aspectos percebeu a existência de elos, semelhanças e diferenças, levados pela primeira diáspora – os escravos – e preservados pela segunda, que são os viajantes africanos, incluindo os turistas. “Hoje, todos nos tornámos herdeiros e embaixadores dessas estéticas e práticas culturais”.
Falando da sua experiência, realçou que em Salvador, capital do Estado da Baía, as pessoas sentem-se muito ligadas ao universo africano, e que “África faz parte de nós de uma maneira muito intensa”.
Questionada acerca da forma como organizou a sua pesquisa, a escritora disse ter ouvido kizomba, semba e kuduro. Goli Guerreiro, que nunca tinha estado em Angola, disse ter obtido as informações através de notícias, catálogos de exposições, livros de escritores angolanos e por meio de vídeos e fotografias. Referiu, a propósito, a possibilidade virtual de ver filmes, consultar textos na Internet, nos blogs, sites, ver filmes no youtube, acompanhar palestras de Fernando Alvim, ler livros de Pepetela e de Ondjaki.
A escritora agradeceu à Fundação Sindika Dokolo e o convite do curador brasileiro, Daniel Rangel, que inseriu a apresentação do livro no projecto “3 Pontes”, que junta trabalhos de 30 artistas baianos.
Goli Guerreiro é autora de “A Trama dos Tambores” (2000).