Zungueiras de Luanda: Na zunga está o ganho mesmo a dar kilapi
As zungueiras têm o seu “ganha-pão” no centro da cidade e arredores. Elas adquirem os produtos - vestuário, calçado, loiças, talheres, copos e outras “imbambas” - nos armazéns de venda a grosso e “despacham” na baixa onde o cliente, desde que esteja bem localizado, pode pagar já ou pôr kilapi.
Às 11 horas, uma jovem de 28 anos, descia a zona da Mutamba. Levava às costas uma criança, com 2 anos. Na mão direita umas blusas e na esquerda um saco transparente com sapatos para mulher.
Ela não publicitava o negócio. Quando chegou junto de uma pastelaria, pediu a uma das empregadas que chamasse a colega. “Mana chama só a Gia”, pediu. Minutos depois a Gia surgiu e comprou um par de sapatos que já tinha encomendado à zungueira. Posteriormente escolheu uma blusas mas “ não pagou já”. Pôs no kilapi.
A zungueira Titã, que vive no Golf II e vem todos os dias para a Baixa, disse que Gia “é cliente de confiança e nunca deixou ficar mal.
Tita contou que na Baixa de Luanda tem muitos clientes que nunca a deixaram ficar mal. “Eu deixo a mercadoria e venho buscar o dinheiro no fim do mês”, disse.
Acrescentou que não perde com esse modo de fazer negócio. “Deixo a mercadoria no princípio ou no meio do mês e venho buscar o dinheiro quando sei que o salário já caiu. Para aquelas que recebem no princípio do mês o preço é outro, para as que recebem no meio do mês, o preço, também, é outro. É mais caro. É assim que consigo ter lucros”, referiu.
- Como sabe que os salários já foram pagos? “Há meninas e senhoras sérias que me telefonam para eu ir buscar o meu dinheiro”, respondeu.
“As clientes de Titã sabem bem as minhas dificuldades. Sabem que nós não estudamos muito, por várias razões. Sabem que temos filhos para criar e que estamos a construir as nossas cubatas, por isso é que não nos deixam mal”, salientou.
Homens são caloteiros
Tita disse categoricamente que aos homens não dá fiado. Eles não podem pôr a dívida no kilapi. “O que me fizeram dois senhores que andam de fatos e gravatas não é de bem!”, exclamou.
Abanou a cabeça, mordeu o lábio inferior e depois acrescentou: “Levou, cada um deles, três pares de sapatos de mulher, duas sapatilhas para crianças, blusas e desapareceram, até hoje”.
Nos primeiros dias, lembrou, quando ia ao local de trabalho dos caloteiros as recepcionistas, depois de anunciarem a sua presença, mandavam dizer que estavam eu reunião. “Outras vezes mandavam dizer que não foram trabalhar ou então para eu voltar no dia seguinte, esses clientes não têm coração nem família”, disse a zungueira Titã que quase foi à falência com esse golpe no negócio.
Houve um dia, referiu, em que os caloteiros lhe mandaram levar o Bilhete Identidade para passarem cheque. “Era demais, lhes deixei com os seis mil kwanzas, naquele tempo, em 2007. Deus viu as brincadeiras deles”.
Transgressão e ponderação
Fortaleza tem das melhores praias do Brasil. A praia do Futuro é a mais indicada com excelente infra-estrutura, inúmeras barracas oferecem conforto e segurança, onde os frequentadores podem deliciar-se com banhos e apetitosos frutos do mar, principalmente o caranguejo. As barracas que apresentam melhor estrutura são a Atlântida, Biruta, Chico do Caranguejo, Coco Beach, Itapariká, Rebú, Subindo ao Céu, Tropicália e Vila Galé.
Mas a região dispõe ainda de outras lindas praias: Meireles, Mucuripe (Avenida Beira Mar), Iracema , Abreulândia ou Cofeco e Barra do Ceará .
Feiras de rua
O Governo Provincial de Luanda (GPL) determinou, recentemente, alguns locais para as zungueiras comercializarem os seus produtos. A Administração Municipal do Sambizanga, em coordenação com a Administração do Mercado S. Paulo, criou um espaço para venda.
As zungueiras preferiram continuar a vender na rua. Elas justificam o porquê: “nas bancadas dificilmente conseguimos vender grandes quantidades de peças de roupa e não há possibilidade de darmos kilapi, porque não conhecemos onde o cliente trabalha ou mora”, afirmaram.
Para a zungueira Joana, “a zungar, conhecemos as casas e os serviços dos nossos clientes, assim não têm hipótese de nos enganar, aliás se os vizinhos ou colegas nos virem todos os dias a cobrar, eles ficam com vergonha e nos pagam. É a vantagem da zunga!”.
Tita revelou que compra os produtos do negócio nos armazéns de São Paulo, no Arreou Arreou, na Gajajeira e no mercado do Hoji ya Henda. Tita disse que, neste momento, os produtos que têm mais saída são as “youki”, as “colans”, e as pastas de cores vivas. “As minhas clientes já têm o meu número e algumas encomendam pelo telefone”, disse Tita.

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