Sociedade

Cardeal alerta os angolanos para malefícios do tribalismo

Edivaldo Cristóvão| - 25 de Outubro, 2010

O cardeal Franc Rodé enviado especial do Papa Bento XVI rezou missa em Luanda e na homilia alertou para os perigos do tribalismo

Fotografia: Eduardo Pedro

A Ministra da Família e Promoção da Mulher, Genoveva Lino, recomendou, ontem, em Luanda, ás famílias angolanas, a frequentarem a Igreja e ouvirem mais a palavra de Deus, como uma forma de alimentarem a sua espiritualidade.
Genoveva Lino falava depois da celebração eucarística, feita pelo Cardeal Franc Rodé, realizada na Paróquia da Nossa Senhora de Fátima, que contou com a presença dos bispos de Angola, membros do Executivo, sociedade civil e fiéis.
Genoveva Lino disse que quando as pessoas se guiam pela palavra de Deus e com muita fé, "ganham mais força para trabalhar no engrandecimento de Angola. Peço às famílias para que tenham fé para que possamos com Deus superar as nossas dores e ter mais força para trabalhar".
A ministra disse ainda que "estamos conscientes que há muito trabalho para fazer, as dificuldades que enfrentamos são enormes mas com ajuda do Senhor e a fé, vamos conseguir vencer". Numa sociedade em crescimento como Angola, as famílias devem seguir a palavra de Deus para que tenham uma vida mais digna. "Não há palavra melhor do que a do Senhor, cada cidadão deve ter, ler e absorver o grande livro sagrado, a bíblia, porque é o livro da vida. E se todos nós o seguirmos, teremos uma vida mais digna, tal como a própria bíblia diz, que feliz é a nação que o próprio Deus é o Senhor", disse Genoveva Lino.
O cardeal Franc Rodé na celebração da missa, leu uma mensagem em nome do Papa Bento XVI, que alertou o povo angolano para "o espírito do egoísmo que faz as pessoas dividir as suas famílias, a irresponsabilidade sexual, o enfraquecimento do vínculo matrimonial, a destruição das famílias e a eliminação de vidas humanas inocentes através do aborto". O cardeal referiu ainda que "junto com a acção das graças, peçamos ao Senhor o seu perdão em misericórdia das nossas falhas da vida consagrada. Queridos irmãos adorai o Senhor Cristo em vossos corações, não tenhais medo ou vergonha de falar de Deus, fazendo resplandecer a luz de Cristo aos vossos contemporâneos. Pensem nas consequências da guerra, nos frutos terríveis do tribalismo e das rivalidades étnicas. Devemos criar uma sociedade justa, verdadeira e autenticamente africana", disse o Cardeal Franc Rodé.

Sede do dinheiro



O enviado do Papa considerou que a família consagrada angolana tudo tem feito para passar uma mensagem de esperança e de paz à sociedade: "nesta terra angolana os consagrados e as consagradas têm-se comprometido com as suas próprias vidas doadas por amor, trabalham com castidade contra a propagação do egoísmo, a pobreza, a sede do dinheiro e poder, a obediência livremente escolhida ao individualismo e ao relativismo que afligem a sociedade, com a intenção de torná-la com mais esperança".
O Cardeal Franc Rodé teve um encontro com o núncio apostólico, os bispos da Conferência Episcopal de Angola e São Tomé, religiosos e religiosas, membros do Executivo e da Associação Cristã dos Gestores e Dirigentes.
O programa prossegue hoje, com a celebração da missa no Santuário de Nossa Senhora da Muxima. Amanhã, o cardeal desloca-se à arquidiocese do Lubango, onde celebra a eucaristia na catedral e depois visita o Mosteiro de Nossa Senhora do Monte.
O Cardeal Franc Rodé nasceu a 23 de Setembro de 1934, na cidade de Liubliana, na Eslovénia. Em 2004, foi nomeado pelo Papa João Paulo II, Perfeito da Congregação para Institutos de Vida Consagrada e a Sociedade de Vida Apostólica, tendo sido reconduzido no cargo pelo Papa Bento XVI.