Sociedade

Cobradores desviam dinheiro que recebem dos passageiros

07 de Fevereiro, 2010

Empresa estuda relançamento de táxis

Fotografia: Jornal de Angola

Pelo menos 30 por cento dos valores pagos pelos mais de 85 mil passageiros transportados, diariamente, nos autocarros da Macon nas linhas urbanas de Luanda, não entram nos cofres da empresa, disse o director de operações e desenvolvimento, Egildo Béu. O bilhete de passagem nos autocarros da Macon custa 30 kwanzas.
Em entrevista à Angop, Egildo Béu disse que o furto de valores dos bilhetes de passagem por parte de cobradores é uma prática muito frequente e atinge índices elevados, apesar de medidas disciplinares que a empresa aplica aos implicados quando identificados.
 “Muitos cobradores recebem dinheiro dos passageiros e não entregam o bilhete”, disse o gestor, salientando que “deste modo a empresa pode não subsistir”.
 Segundo o director de operações, a empresa nunca fez um estudo profundo sobre o fenómeno, mas avalia que as perdas financeiras estejam na ordem dos 30 por cento. Para diminuir as perdas, a Macon tem fiscais que controlam a circulação dos transportes e usam aparelhos para efectuar a contagem de cada passageiro.
Mas também fazem a sensibilização dos trabalhadores, através de palestras.
 “Com estes mecanismos de controlo, o nível de furtos desceu bastante nos últimos tempos”, afirmou. Egildo Béu referiu ainda que o desvio de dinheiro dos bilhetes por parte dos cobradores é uma prática que se regista na maioria das empresas do sector.
 
Relançamento de táxis
 
O director de Operações e Desenvolvimento da Macon, Egildo Ferraz Béu, disse, sexta-feira, à Angop que a empresa está a efectuar estudos para o relançamento do serviço de táxi, paralisado há um ano. Segundo o gestor, a empresa não tem ainda previsões de voltar a prestar o serviço.
 A Macon, disse, deixou de fazer serviço de táxi individual devido à degradação da frota de 30 viaturas pelo mau estado das vias.
Egildo Béu disse que também contribuíram para a degradação das viaturas o mau uso dos veículos por alguns motoristas e a falta de peças de reposição no mercado nacional.
“As peças sobressalentes dos veículos eram importadas e nem sempre chegavam atempadamente ao país para se efectuar a substituição”, disse.
Segundo o responsável da Macon, o índice de acidentes diminuiu e as viaturas estão agora a ser melhor conservadas. Egildo Béu referiu que a Macon Táxi surgiu numa época em que as vias estavam em pior situação.
A procura dos serviços de táxi, na altura, era grande e a empresa tinha dificuldades em responder à procura. O preço da corrida por quilómetro era de cerca de 140 kwanzas.
A Macon é a primeira empresa privada de transportes colectivos de Luanda, com uma frota de 310 autocarros e 1.400 trabalhadores.
 Actualmente a operadora presta, além de serviços urbanos, transportes de passageiros inter-provinciais nalgumas regiões do país. Além da Macon, a província de Luanda conta com as operadoras de transportes colectivos urbanos Tcul, Tura, SGO e Ango Austral. A Afri Táxi é a única a fazer actualmente serviços de táxi individuais.