Sociedade

Despiste de avião sem causar vítimas

Manuela Gomes e Fula Martins - 28 de Agosto, 2009

Avião saiu da cabeceira da pista do Aeroporto de Luanda e causou susto no Cantinton

Fotografia: Mota Ambrósio

 
Um avião do tipo IL-76 TD da Força Aérea Nacional, com matricula T-906, despistou-se, ontem, em Luanda, na cabeceira da pista do aeroporto Internacional 4 de Fevereiro, sem causar vítimas mortais.
O acidente ocorreu, por volta das 14h40, quando o aparelho se fazia à pista para levantar voo com destino a Cabinda. O comandante do Corpo de Serviços de Bombeiros de Luanda, Tito Manuel, disse que, além de mais de 50 passageiros, o avião transportava 23 toneladas de bens alimentares e duas viaturas ligeiras.
Residentes das imediações do bairro Cantinton, no município do Kilamba Kiaxi, que viram de perto o acontecimento, contaram que um “homem facturou uma perna e houve pessoas que desmaiaram no local”.
Os sinistrados estão a receber assistência no hospital Josina Machel. Familiares dos passageiros estavam, até às 22hoo de ontem, à entrada hospital, à espera de informações.
 “Como há um posto de atendimento, onde trabalham psicólogos e sociólogos, achamos que há trabalho para acalmar as pessoas, embora não seja fácil”, disse, ao Jornal de Angola, um dos técnicos.
Mas o drama não afectou apenas os passageiros do IL-76 TD, de cor cinzenta. Os moradores do Cantinton, também estavam nervosos. “Viver nesta área é um grande perigo”, diziam desorientados.
“Deus esteve connosco, porque o avião parou onde o Nosso Senhor permitiu”, disse um dos meninos que jogavam à bola num dos terrenos baldios, a escassos metros da pista, quando o acidente ocorreu.
As crianças do Cantinton, até a meio da noite de ontem, choravam e pediam aos pais para os tirarem dali. Queriam ir para casa de familiares. “Mamã, vamos na casa da tia Tita. Mana vamos já na avó. Não quero mais ficar aqui. Quero ir embora”, este desabafo de uma criança comoveu os presentes e foi ouvido por oficiais da Força Aérea Nacional e pessoal do Ministério dos Transportes, Polícia Nacional, Corpo dos Bombeiros.
    
Prontidão dos bombeiros


Vitoriano Joaquim, comandante do Corpo de Bombeiros do Aeroporto Internacional 4 de Fevereiro, disse que o efectivo ali destacado, socorreu de imediato os passageiros. “A pessoa que facturou a perna precipitou-se porque tentou saltar do avião”, explicou.
 O director adjunto da ENANA, Agostinho Filipe, apelou ao Instituto Nacional de Aviação Civil (INAVIC) para averiguar, o “mais rápido possível”, as causas do incidente. “Estamos muito preocupados, porque mesmo junto à vedação do quintal do aeroporto encontram-se muitas casas ”, disse, para acrescentando que o sucedido “deve servir de alerta à população para que deixe de construir casas nestas áreas”.  

General Hanga preocupado  
com invasão  do aeroporto


O chefe do Estado-Maior da Força Aérea Nacional, Francisco Gonçalves Afonso “Hanga”, mostrou-se preocupado com a invasão pelos populares dos espaços de segurança aeroportuária.
“O acidente, de ontem, não teve consequências trágicas porque o avião ficou imobilizada numa vala quando se dirigia para zona residencial construída ilegalmente”, disse.
O general lamentou o facto da população ter invadido a zona que circunda o aeroporto, o que, recordou, também acontece em Mbanza Congo e noutros aeroportos.
O director-geral do Instituto Nacional da Aviação Civil (INAVIC), Celso Rosa, garantiu que, apesar do acidente ocorrido, ontem, nas mediações do bairro Cantinton, “o aeroporto continua operacional”.
 “O importante é que o acidente não provocou vítimas mortais”.
Até à hora do fecho da nossa edição, desconheciam-se os motivos do despiste. Responsável do Instituto Nacional de Aviação Civil (INAVIC) garantiu à reportagem do Jornal de Angola que os peritos “estão a trabalhar para apurarem as causas as acidente”.
A Força Aérea Nacional emitiu, ontem mesmo, um comunicado, anunciando que foi criada uma comissão para investigar as causas do acidente.