Sociedade

Novo remédio para a diabetes

27 de Maio, 2011

Hospital público administra remédio que está a salvar muitas vidas

Fotografia: Kindala Manuel

Um novo medicamento para combater a diabetes, o heberprot, tem sido utilizado eficazmente, há cerca de um ano, pelo Hospital Josina Machel, em Luanda, disse na quarta-feira à Angop o director-geral da instituição, Alberto Paca.
O gestor hospitalar explicou que o heberprot é um produto farmacêutico produzido em Cuba e que está a revolucionar o tratamento de doentes diabéticos na fase em que surgem feridas que obrigam à amputação dos membros inferiores, ocorrência que, clinicamente, é conhecido por “pé diabético”.
“Quando o pé diabético surge nos doentes, desenvolvem-se úlceras ou até mesmo gangrenas a nível do pé, situação que pode levar à amputação. Agora, com este novo fármaco, não temos necessidade de amputar, uma vez que o medicamento tem sido eficiente mundialmente”, explicou ainda o médico.
Desde 2010 que o heberprot tem permitido que os doentes de diabetes curem as suas feridas, evitando a amputação do pé que, com o uso do medicamento, ganha uma granulação e cicatrização.
“As amputações criam limitações na vida do doente e, passados cinco anos da amputação de um membro, existe quase sempre a possibilidade de se amputar o outro membro. Esta carga social, num doente bi-amputado, é um transtorno para a sociedade”, comentou o gestor hospitalar.
Falando sobre o quadro actual da diabetes em Angola, admitiu que o índice de pessoas que padecem da doença crónica é elevado, pelo facto de muitos doentes não saberem do seu estado até ao dia em que perdem os sentidos.
“Todos os dias registamos entre cinco e seis casos de doentes de diabetes em estado grave, o que faz prever que temos uma taxa de doentes bastante alta”, acentuou Alberto Paca.


Sobre o aproveitamento que o hospital tem dado à presença de especialistas estrangeiros que participam no tratamento de doenças complexas, como a hipertensão e a diabetes, Alberto Paca frisou que a presença de médicos estrangeiros tem dois objectivos: a assistência aos pacientes e a formação de quadros nacionais. “No Josina Machel temos, na sua maioria, médicos cubanos e brasileiros, que têm dado um contributo muito valioso”, reconheceu Alberto Paca.