Sociedade

Problemas durante a gravidez vitimam milhares de mulheres

02 de Fevereiro, 2012

A saúde da grávida fica comprometida se os conselhos médicos não forem respeitados

Fotografia: AFP

Mais de 500 mil mulheres morrem anualmente em todo o mundo por complicações na gravidez, revelou, terça-feira, na cidade de Luanda, o representante em Angola da Organização Mundial da Saúde (OMS), Rui Gama. 
O alto funcionário da OMS,  que falava numa palestra sobre “a importância do planeamento familiar”, referiu que, por minuto, pelo menos uma mulher morre, entre outros motivos, por problemas ligados a traumatismos, infecções e mutilações genitais.
O bem-estar da mulher, além das condições ambientais e ocupacionais, afirmou, resulta de vários factores de carácter biológico, psicológico e socioeconómico.
Em cada etapa da vida, desde a primeira infância ao período pós fértil, referiu, colocam-se problemas específicos na vida da mulher.
O representante da Organização Mundial da Saúde anunciou que em cada cem mil abortos clandestinos ou praticados em condições inadequadas ocorrem no mundo cerca de 650 mortes, principalmente nos países em desenvolvimento.
Cerca de um terço das gravidezes, salientou Rui Gama, são indesejáveis e perto de 25 por cento termina em aborto.
A OMS concluiu que, no ano passado, em todo o mundo, entre 16 e 50 por cento das mulheres foram vítimas de alguma forma de violência física.


De 1990 e 2005, declarou, os países da África subsariana registaram, anualmente, uma redução da taxa de mortalidade materna de 0,1 por cento, quando devia ter sido de 5,5 para se atingirem os objectivos do milénio.
Rui Gama disse que, do total de pessoas com VIH/Sida  no continente africano, 61 por cento são mulheres, cuja vulnerabilidade é agravada por dificuldades de acesso à educação, ao emprego, à água e ao saneamento básico.
A dependência económica e a falta de decisão da mulher sobre a própria vida estão ainda na base do seu insucesso, sublinhou o alto funcionário da agência especializada das Nações Unidas.