A formiga e o trabalho
Fotografia: Casimiro Pedro
A Formiga Trabalhadora era muito pequenina e por isso tinha que estar sempre atenta para não ser esmagada pelos outros animais. Ela gostava muito de ir trabalhar nas margens dos rios, porque lá havia muita comida para encher os celeiros da família. A mãe mostrou-lhe como fugir dos mil perigos que habitam as terras ribeirinhas e ensinou à formiguinha aquilo que os seus pais lhe ensinaram: “olunelenge v’iso, ongandu v’okulu!
Quem anda nas margens dos rios e deixa que o capim lhe tape os olhos, tem o jacaré à perna! A Formiga Trabalhadora ficou a saber que é preciso ter atenção aos perigos, para que nada de mal nos aconteça.
Um dia a formiguinha estava a transportar um grande grão de massambala e já tinha parado várias vezes no caminho para casa, porque se sentia muito cansada. Mas como era uma grande trabalhadora, mal ganhava fôlego, voltava a carregar o grão e prosseguia a caminhada até ao seu formigueiro, onde já estava armazenada muita comida para que nada faltasse à família nos dias secos do cacimbo.
A Formiga Trabalhadora estava a poucos metros de casa, mas para uma formiguinha tão pequenina, aquela distância era como se fosse uma viagem até ao fim do mundo. Estava mais uma vez a descansar quando viu aproximar-se a Formiga Cadáver. Ainda ela estava longe, já a formiguinha sentia aquele forte cheiro a mortos que exala de todas as grandes formigas daquela família.
- Boa tarde, Formiga Trabalhadora! Levas um grande grão de massambala! Hoje vai haver festa em tua casa…
E a formiguinha respondeu:
- Em nossa casa trabalhamos todos os dias para termos muitos grãos para comer. Este que levo às costas é para guardar no celeiro. Devemos viver sempre à nossa custa e não depender dos mortos.
A Formiga Cadáver ficou furiosa porque detestava que lhe lembrassem que cheirava à morte. E muito agastada disse:
- Como era bom que caísse agora mesmo chuva forte, uma chuvada daquelas que provocam a enxurrada, para ver se todos os pequeninos desaparecem para sempre!
A Formiga Cadáver queria uma grande chuvada para que as enxurradas varressem da mata todos os pequenininhos como a Formiga Trabalhadora.
A formiguinha não se deixou intimidar. Poisou o grão de massambala, ergueu as mãos aos céus e exclamou:
- Venha uma grande chuvada, a maior de todas, para ver se as águas abundantes levam o mau cheiro dos que cheiram mal!
Dito isto, a Formiga trabalhadora continuou a carregar o seu grão até ao formigueiro. E a Formiga Cadáver, despeitada, seguiu o seu caminho, vociferando ameaças contra aquela coisa pequenininha, insignificante, mas que tinha força para transportar os grãos e resposta para tudo na ponta da língua.
Esta história foi-me contada por Mama Lemba, num quintalão do Marçal, há muitos cacimbos. A versão original é esta:
Tjindjewu otala Kalundjindji omo akasi utito-tito, tjiwa oyevala, eti:
- Ombela iye l’ombili, vatito otjyo vande l’endunde!
Kalundjindji oyeva Tjindjewu omooneha, tjiwa oye vala eti:
- Ombela iye l’ombili, vaneha otjyo vanehuluhe!
Se alguém encontrar na mata a Formiga Cadáver, tape o nariz porque ela carrega consigo o cheiro da morte.
A Formiga trabalhadora só carrega comida para que em sua casa haja sempre abundância.
SABIAS QUE...
Num único dia, uma andorinha come duas mil moscas.
Os elefantes têm uma audição aguçada e podem facilmente detectar os passos de um rato. As suas presas pesam mais de cem quilos. Come 125 quilos de plantas, capim e folhagens, e bebe duzentos litros de água por dia. A tromba suga dez litros de água de uma só vez.
Uma ovelha fornece cinco quilos de lã e cem litros de leite por ano.
O coice mais violento de que se tem notícia é o da girafa.
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