Sociedade

Medicamento para crianças chega em Março

Walter António | - 08 de Fevereiro, 2010

Angola tem estado a registar, nos últimos três anos, uma redução significativa da mortalidade por malária

Fotografia: Dombele Bernardo

O Programa Nacional de Controlo da Malária vai proceder, em todo o país, ao lançamento do coartem pediátrico solúvel, um medicamente para o tratamento da malária, a partir da primeira semana de Março.
O coartem pediátrico solúvel destina-se a crianças com malária dos seis meses aos oito anos com peso entre os cinco e os 25 quilos.
A garantia foi dada ao Jornal de Angola pelo assessor técnico do Programa Nacional de Controlo da Malária, Francisco Teles.
“O coartem pediátrico dissoluvel é uma nova apresentação do coartem, que vai facilitar com que as crianças que sejam tratadas com este medicamento possam facilmente aceitar a medicação. O comprimido é dissolvido dentro de um copo com pouca água”, afirmou Francisco Teles.
O coartem utilizado pelas unidades sanitárias é uma doação dos parceiros do Ministério da Saúde, entre os quais o Fundo Global para a Malária e a sua distribuição é gratuita.
Até ao momento, os pacientes têm feito a medicação com base nos comprimidos de coartem pediátrico não solúvel. Francisco Teles garantiu que o coartem faz parte dos medicamentos combinados derivados de artemisinina e lumefantrina com uma eficácia muito elevada, acima dos 99 por cento.
“Graças a estes medicamentos combinados, dos quais consta o coartem, assiste-se a uma redução da mortalidade a nível mundial e, em particular, em Angola”, acentuou Francisco Teles.
Os medicamentos com combinações derivados de artemisinina, de que o coartem faz parte, começaram a ser introduzidos em Angola em 2005, através do Programa Nacional de Controlo da Malária.
“Desde há cinco anos que o Ministério da Saúde, através do Programa Nacional de Controlo da Malária, com o apoio dos seus parceiros, está a fazer a introdução destes medicamentos combinados derivados de artemisinina. Os medicamentos são recomendados pela Organização Mundial da Saúde para a cura da malária”, disse Francisco Teles.

Mortes por malária

O Programa Nacional de Controlo da Malária registou no ano passado 9.600 mortes por malária em todo o país. Estes números de vítimas, apesar de serem ainda provisórios, representam uma redução de 649 óbitos em relação ao ano anterior.
Os dados foram revelados ao Jornal de Angola pelo assessor técnico do Programa Nacional de Controlo da Malária, Francisco Teles.
“O Programa Nacional de Controlo da Malária, em 2009, registou, aproximadamente, 3,2 milhões de casos de malária em todo o país, que causaram 9.600 mortes. Deste número, 35 por cento são crianças até aos cinco anos”, informou Francisco Teles. Em 2008, registaram-se 3,428 milhões de casos por malária com 10.249 óbitos.   
Francisco Teles sublinhou que todos os dados de 2009 sobre a malária ainda são provisórios, tendo em conta que os técnicos continuam ainda a colher os dados das unidades sanitárias.
As províncias de Cabinda, Benguela, Huambo, Huíla e Luanda são as que mais têm casos registados.
Para reduzir o número de casos de malária, segundo Francisco Teles, o Programa Nacional de Controlo da Malária vai intensificar os programas e as acções de formação e distribuição de mais medicamentos e mosquiteiros.
Questionado sobre as causas da malária, o técnico afirmou, em primeiro lugar, que Angola é um país que se situa na região tropical.
“O mosquito que causa o paludismo desenvolve-se em clima quente e o nosso país é quente em quase todo o ano, apenas na região sul é um pouco mais frio, razão pela qual a transmissão é mais notável na época quente nas províncias do sul ”, disse Francisco Teles, adiantando que outro motivo é a falta de saneamento básico.

Redução da malária

Angola tem estado a registar, nos últimos três anos, uma redução significativa da mortalidade por malária, garantiu o assessor técnico do Programa Nacional do Combate à Malária, Francisco Teles.
“Com o apoio dos parceiros, temos estado a fazer um reforço da intensificação das medidas de controlo da malária em Angola, iniciadas em 2004”, disse Francisco Teles.
O Programa Nacional de Controlo da Malária vai continuar a reforçar as intervenções para combater a doença.
“Ainda durante o ano em curso está prevista a primeira avaliação dos objectivos e metas da iniciativa “Fazer recuar o paludismo” no sentido de se reduzir em 50 por cento a mortalidade. Esta meta foi assumida na cimeira de Abuja, Nigéria, em 2000, pelos chefes de Estado africanos”, afirmou Francisco Teles.