Sociedade

Interior ordenou investigação sobre intoxicações em Luanda

27 de Julho, 2011

Ministro quer esclarecidas as razões dos desmaios e responsabilizados os culpados

Fotografia: Francisco Bernardo

O ministro do Interior, Sebastião Martins, ordenou ontem a abertura de um rigoroso inquérito para apurar as causas que estão por detrás da actual onda de intoxicações em estabelecimentos escolares de Luanda.
O ministro ordenou a abertura da investigação momentos depois de ter visitado, em Viana, algumas escolas onde 220 alunos desmaiaram e foram transportados de emergência para unidades hospitalares por inalação de substância tóxica.
Sebastião Martins, que se fazia acompanhar da comandante provincial de Luanda da Polícia Nacional, Elizabeth Rank Frank, e do comandante dos Serviços de Protecção Civil e Bombeiros, Eugénio Laborinho, não tardou a chegar ao local. Sebastião Martins esteve hora e meia no hospital Mãe Jacinta Paulino e conversou com algumas crianças internadas de emergência.
Os desmaios, segundo fontes hospitalares, começaram na zona do quilómetro 14, onde foram atingidas as escolas 9050 e o colégio Samila Zinga, que por sinal já tinha registado casos de intoxicação na semana passada. A onda de desmaios acabou por atingir ontem alguns alunos da escola Comandante Loy, no Projecto Morar.
O Hospital Mãe Jacinta Paulino recebeu todos os afectados, transferindo apenas aquelas crianças que mais cuidados inspiravam para o Hospital Josina Machel. Embora alguns alunos ainda estivessem ontem a receber assistência, o director do hospital, Mateus Neto, considerou a situação calma.
 Pelo menos 53 pessoas desmaiaram na tarde de segunda-feira no interior da escola secundária Neves e Sousa, no município de Viana, em Luanda, depois de inalarem uma presumível substância tóxica.
A Angop soube, ontem, do porta-voz do Serviço Nacional de Protecção Civil e Bombeiros (SNPCB), Faustino Sebastião, que deste número, 52 são alunos, sendo 46 meninas, e um efectivo dos bombeiros.


De acordo com Faustino Sebastião, as vítimas foram evacuadas para os hospitais da zona onde receberam cuidados médicos e alta cerca de seis horas depois de terem dado entrada.
“As vítimas, dos 14 aos 25 anos, apresentavam irritações na garganta e nos olhos, falta de ar, tosse, sensação de pânico, seguido de desmaios, os mesmos sintomas dos casos anteriores ocorridos em Luanda”, sublinhou o alto funcionário da Polícia.
Membros afectos à Direcção Municipal da Educação, à Polícia Nacional e à Investigação Criminal continuavam ontem no local, para determinarem o tipo de substância e os seus autores.

Detenção no Cazenga

A Polícia de Investigação Criminal deteve, recentemente, um jovem de 19 anos, acusado de ter lançado um gás tóxico no Instituto Médio Politécnico do município do Cazenga, provocando o desmaio de 24 pessoas, entre alunos, professores e funcionários administrativos.
O suspeito é acusado de utilizar um produto designado por “Longue Postel 70cs “, um tipo de gás pimenta utilizado por forças policiais para neutralizar elementos que resistem às ordens policiais.
Estas práticas são condenáveis por lei, punível no artigo 364 do Código Penal, podendo dar dois a oito anos de prisão. Situações semelhantes ocorreram este ano em escolas dos municípios de Viana, Kilamba Kiaxi, Ingombota e Cacuaco, tendo causado o desmaio de mais de 300 pessoas, entre alunos, professores, trabalhadores administrativos e bombeiros.
A direcção de Luanda da Educação e o comando provincial da Polícia Nacional recomendaram, na última semana, o cumprimento rigoroso dos regulamentos internos das instituições de ensino académico públicos e privados, face à onda de insegurança que se verifica em determinadas escolas.