Juan Carlos Barrena | EFE
As potências emergentes na estratégia da OTAN
08 de Fevereiro, 2010
O secretário-geral da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), Anders Fogh Rasmussen, afirmou ontem que a aliança pretende assumir um papel global em segurança e conseguir acordos estratégicos fora da sua zona natural de influência, como em China e Índia.
No último dia da Conferência de Segurança de Munique (Alemanha), Rasmussen comentou que, “na era da insegurança global”, a OTAN deve procurar uma cooperação além das suas fronteiras e tornar-se um fórum global em defesa.
O secretário-geral sublinhou que a prioridade da OTAN é defender os seus próprios membros, mas que a existência de outras ameaças de carácter internacional obriga ampliar as suas acções preventivas.
Rasmussen disse que a aliança deve tornar-se o núcleo de uma rede de sociedades de segurança e um centro de assessoria para questões internacionais de segurança, inclusive para aquelas em que “a OTAN nunca será activa”.
Caso do Afegasnistão
Segundo ele, o caso do Afeganistão tornou clara “a mudança dramática na maneira de actuar da aliança”. O secretário-geral da OTAN disse ainda que a cooperação com outros países “funciona” e deve ser ampliada – depois de conseguir uma aliança com a Rússia - às grandes potências emergentes da Ásia, a China e a Índia.
Também o ministro da Defesa da Alemanha, Karl-Theodor zu Guttenberg, se disse a favor de ampliar a cooperação com países que não pertencem à aliança, especialmente os emergentes, e melhorar o diálogo com nações como a China e a Rússia, “por mais difícil que seja a cooperação para alguns membros”.
É necessário encontrar uma base de diálogo com grandes nações como a China e a Rússia, disse o ministro alemão, que considerou que a cooperação entre a OTAN e a União Europeia está abaixo das reais possibilidades.
No mesmo debate em Munique, o comandante-em-chefe da OTAN, o almirante norte-americano James Stavridis, frisou que a aliança “não deveria ser um actor global, mas um actor num mundo global”.
Stavridis pediu que na nova estratégia da OTAN, que deve ser definida na próxima cimeira de Lisboa, se alcance um equilíbrio entre a “dura” potência militar e a “suave” influência política e económica.
O principal chefe militar da OTAN avisou que devem ser levadas muito a sério novas ameaças como a guerra electrónica, já que “no futuro o perigo não chegará através do bombardeamento de um avião, mas pelos cabos de fibra óptica”.
Recusa da Rússia
O presidente da comissão de relações exteriores da Duma, o Parlamento da Rússia, Konstantin Kosatschew, reafirmou a rejeição do seu país a uma possível entrada na OTAN de países como a Ucrânia e a Geórgia.
“Quando a OTAN actuar fora das suas fronteiras está já não será mais uma questão interna da aliança”, disse Kosatschew para expressar a sua rejeição às ambições colocadas por Rasmussen e Guttenberg.
O secretário-geral da Aliança Atlântica deixou claro, no entanto, que as ideias da sua organização de cooperar com outros países não representam uma tentativa de competir com as Nações Unidas. Pelo contrário, disse Rasmussen, que lembrou que a OTAN actua no Afeganistão na base de uma resolução das Nações Unidas e que uma possível intervenção em outros lugares sempre será feita com o respaldo da ONU. “A globalização é irreversível também em matéria de defesa e segurança”, afirmou o político dinamarquês. 
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