Omar El Sadr

Palestinianos descontentes com novo plano americano

08 de Fevereiro, 2010
Os palestinianos estão descontentes, e desiludidos, com a nova iniciativa diplomática desencadeada pelos Estados Unidos visando o processo de paz. Segundo eles, esse plano não atende a uma das suas principais reivindicações: a cessação imediata da colonização israelita como condição essencial para o recomeço de negociações directas.
Lançada há uma semana, esta nova iniciativa diplomática norte-americana prevê o estabelecimento, num prazo de dois anos, de uma plataforma que permita o reinício das conversações directas entre os palestinianos e os israelitas interrompidas após a ofensiva sobre a Faixa de Gaza em finais de 2008.
De acordo com esse plano, a questão da segurança das fronteiras figura como ponto prioritário a ser tratado em nove meses de modo a adequar-se à moratória dada por Israel para resolver o problema dos colonatos.
Aquilo que os palestinianos pretendem é, precisamente, a inversão dessa prioridade recusando-se a discutir seja o que for antes do problema dos colonatos estar resolvido.
Segue, no plano norte-americano, a discussão e Jerusalém e dos refugiados palestinianos não havendo o conhecimento dos pormenores a serem avançados tudo se limitando a uma confissão de fé de que o assunto poderá ser solucionado no espaço de três meses.
O que já estava acordado numa prévia discussão sobre este tema é que tudo seria feito no sentido de fixar as fronteiras existentes em 1967 não se sabendo se as mudanças demográficas feitas por Israel nos últimos 33 anos serão tidas em linha de conta.
Numa recente declaração feita pelo ministro israelita dos Negócios Estrangeiros durante uma visita do enviado de Barak Obama para a região não ficou clara a posição que o Estado Hebreu tem relativamente a esta questão.
Avigdor Lieberman, um dos elementos mais radicais do executivo israelita, recusou-se a responder de forma categórica a qualquer dos pontos que constam da nova agenda norte-americana para a busca da paz. Quando interrogado sobre a possibilidade dos Estados Unidos avançarem com sanções económicas como forma de pressão – conforma havia sido prometido por Barak Obama – limitou-se a responder qualquer tipo de pressão será contraproducente para a paz no Médio Oriente.
Esta resposta, certamente, terá por base recentes posições expressas pelos senadores norte-americanos Joseph Lieberman e John McCcain (ambos republicanos) que foram categóricos ao oporem-se à aplicação de qualquer tipo de sanções políticas ou económicas contra Israel.
Mas, os palestinianos também estão debaixo de grandes pressões norte-americanas para regressarem ao diálogo directo com Israel. A secretária de Estado Hillary Clinton apelou a Mahmoud Abbas para que este aceite discutir o plano de paz norte-americana sem qualquer tipo de condição prévia.
Segundo a senhora Clinton os palestinianos não deverão protestar contra o processo de colonização israelita devendo deixar a resolução desse problema para a comunidade internacional.
A verdade, porém, é que Abbas está muito pressionado pelos seus pares – e não só pelo Hamas – para tratar desse assunto com o máximo cuidado tendo em atenção anteriores promessas que nunca foram cumpridas pela comunidade internacional.
Mahmoud Abbas, com o processo da sua reeleição suspenso devido ao adiamento das eleições não estará nada interessado em mostrar qualquer tipo de fraqueza que possa ser aproveitada pelos seus rivais para o desacreditar perante a população palestiniana.
Prevendo dificuldades para fazer avançar este seu plano, que na verdade nada tem de substancialmente novo, a senhora Clinton chamou no final da semana passada a Washington os seus homólogos do Egipto e da Jordânia, Aboul Gheit e Nasser Jawdeh, respectivamente, para lhes pedir o apoio dos seus governos para tentarem convencer as partes interessadas de que este é o melhor caminho para o restabelecimento de negociações.
Trata-se de uma missão muito difícil de ser cumprida com êxito, até porque muito recentemente o Egipto se mostrou frustrado com a posição israelita, sobretudo com a forma como tem lidado com a questão da construção de novos colonatos, do bloqueio contra a Faixa de Gaza e com as medidas repressivas que não cessam de ser tomadas contra a população árabe que vive nas zonas ocupadas.
Habituais aliados dos Estados Unidos na região, o Egipto e a Jordânia não têm escondido o seu desagrado como vêm sendo tratados uma vez que apenas são chamados a intervir no processo nos momentos de grande tensão.
Aliás, a Liga Árabe por várias vezes tem chamado a atenção daqueles dois países para que pensem seriamente em estabelecer uma linha de actuação independente que lhes permita surgir como intermediários confiáveis, tanto para os palestinianos como para os israelitas.

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