A Palavra do Director
José Ribeiro
A paz é uma grande virtude
19 de Dezembro, 2010
Estamos em plena época natalícia. E a paz continua a ser a maior prenda que podemos dar a nós próprios. Enquanto soubermos preservar esta existência pacífica que tanto custou a alcançar, o Natal dos angolanos é sempre feliz. Ainda que o mundo à nossa volta continue a ser um pouco perigoso e violento.
As relações humanas estão a ser contaminadas por muita falsidade e muita hipocrisia. O próximo é olhado como um inimigo potencial e não como um irmão.
O mundo vive de pé atrás desde que na Internet circulam mensagens que nunca deviam ter sido pensadas, quanto mais escritas. Para tornar o nosso mundo ainda pior, há já quem defenda a morte dos mensageiros como forma de preservar a fonte das mensagens. E parte-se do princípio errado de que somos todos capazes de fingir amizade e de ter duas caras.
O nosso país esteve exposto demasiados anos a este ambiente apodrecido e foi vítima destas relações espúrias. Sabemos agora como funcionam as fábricas da mentira e as produções da calúnia. Ficámos a saber como se produzem factos a partir de meras fantasias. Passamos a conhecer os fabricantes, os produtores e os vendedores.
Não é um sucesso que seja motivo de orgulho, porque ficámos a saber que as relações internacionais estão piores do que imaginávamos. Mas é sempre bom saber até onde podem ir os principais actores das campanhas da difamação e da calúnia. Angola está evidentemente fora desse mundo que faz do absurdo uma rotina, da falsidade um valor inquestionável, da traição um modo de vida. Nenhum site do mundo pode publicar mensagens dos nossos diplomatas ou dos nossos governantes injuriando, caluniando ou traindo os seus pares, os povos irmãos, os países amigos ou mesmo os jurados inimigos. Temos outros princípios e fomos educados noutros valores.
Aprendemos que sem amigos a vida não faz sentido e onde prospera a infâmia e a traição não há lugar para a grandeza de sentimentos que suporta a natureza humana, em todas as circunstâncias, da mais retumbante vitória à mais pesada derrota. Aprendemos a ter boas relações com todos os países do mundo e sobretudo aprendemos a perdoar a afronta, a agressão, a imoralidade. A paz e a cordialidade merecem todos os sacrifícios pessoais, nem que esses sacrifícios passem pelo perdão sincero.
Esse é o caminho e ele não tem segredos. Não há nada de secreto nas nossas relações e é transparente a relação que existe entre eleitos e eleitores, governantes e governados. Em Angola todos temos um compromisso com a paz, com o respeito mútuo, com o desenvolvimento, com a felicidade. E queremos que esses valores estejam no espírito de todos os povos do mundo e sejam as únicas marcas ostentadas pelas sociedades modernas. Em Angola estamos empenhados em garantir água potável a todos os angolanos. Em vez de escudos anti-míssil, queremos reparar as estações de captação e tratamento de água, as redes de distribuição, os postes de alta tensão, as paredes e os geradores das barragens hidroeléctricas sabotados.
Em Angola em vez de urânio enriquecido, estamos empenhados em criar riqueza para destruirmos a pobreza e a fome. Em Angola não temos armas nucleares. Queremos garantir que todas as crianças e mães grávidas tenham um mosquiteiro impregnado com insecticida. As nossas armas servem apenas para a exterminação maciça da malária. Sabemos que vamos ganhar também essa guerra porque os angolanos são competentes, são empenhados, são sábios e são inigualáveis na sua imensa humanidade.
Vivemos o Natal com a consciência tranquila. Sabemos que o nosso povo só não tem mais porque é impossível. Só não é mais feliz porque ainda temos muitos obstáculos a remover, dos tantos obstáculos que se colocam no caminho. O povo angolano só não tem mais rendimentos porque ainda estamos a gastar grande parte do Orçamento Geral do Estado a curar as feridas do passado.
Quando desejamos um feliz Natal a todos, estamos a ser sinceros. Não dizemos belas palavras pela frente e depois disparamos pelas costas. Somos assim mesmo, leais, sinceros e solidários. Acreditamos no Homem e temos a certeza de que a paz e a concórdia são possíveis. 
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