A Palavra do Director
José Ribeiro
Portas abertas ao saber
07 de Fevereiro, 2010
O administrador do Cuito Cuanavale reclama um instituto superior para o seu município porque os jovens que concluem o Ensino Médio são obrigados a abandonar a terra para prosseguir os estudos e quando concluem as licenciaturas nunca mais regressam, a não ser para matar saudades da família e dos amigos.
No passado o Cuito Cuanavale era um ponto perdido nas "Terras do Fim do Mundo". Depois foi campo de batalha onde os nossos heróis derrotaram os invasores sul-africanos, levando-os a fugir desordenadamente, deixando no terreno pesadas baixas, que mudaram o rumo da guerra de agressão. Hoje, o Cuito Cuanavale é um exemplo na reconstrução nacional. E o seu administrador não quer perder a passada rumo ao futuro e reclama uma escola superior.
No norte de Angola, os jovens de Mbanza Congo correm para a escola superior que este ano abre as portas porque querem ser os primeiros a ocupar as vagas abertas. Cabinda, Sumbe, Caxito, Caála e tantas outras cidades angolanas têm também escolas superiores. É um movimento grande e imparável que mostra até que ponto a reconstrução nacional avança com bases sólidas.
A expansão do Ensino Superior a todo o país dá a certeza de que o crescimento do país está garantido. Temos de formar os técnicos de amanhã e, sobretudo, precisamos de dar à juventude perspectivas de futuro. É certo que o Ensino Básico e o Ensino Médio precisam de chegar a todos os recantos do país, das grandes cidades às aldeias mais distantes. Essa é a base de "recrutamento" para o Ensino Superior. Mas Angola tem pressa, não podemos ficar à espera das escolas de base, muitas das quais estão neste momento a ser construídas. A urgência é formar técnicos e quadros de nível superior. A nossa emergência é incluir todas as crianças no sistema público do Ensino. Cada criança que fica de fora, porque não tem escola na sua aldeia, é uma catástrofe. Porque podemos estar a perder um cidadão excepcional. Temos todos de estudar, mesmo que seja em cima da lata e debaixo da árvore. E quantas mulheres e quantos homens, que podiam destacar-se nas ciências, nas artes, na política, em todas as áreas da sociedade, já se perderam porque outras prioridades se levantaram. Entre fazer escolas e formar professores e defender a soberania nacional, não houve que hesitar, primeiro a soberania. Entre a submissão e a ocupação estrangeira e a liberdade, nem sequer se colocou a mínima dúvida: primeiro a liberdade. E assim passaram os melhores anos gerações de angolanos que tiveram de dar tudo pela defesa da Pátria e deixar à espera os estudos e as condições básicas que suportam uma vida digna.
Não é preciso ir às estatísticas nem citar grandes tratados para percebermos que a expansão do Ensino Superior em Angola, nos últimos sete anos, é um fenómeno único em África e no mundo. Não precisamos de consultar números nos outros países para concluirmos que Angola, em apenas dois anos, aumentou o número de alunos do Ensino Superior numa percentagem que dificilmente pode ser igualada noutras paragens, inclusive em países desenvolvidos que há muitas décadas curaram as feridas da guerra e têm todas as condições para o crescimento harmonioso. Mas precisamos de fazer levantamentos estatísticos e entregar os dados aos organismos internacionais para que se saiba o que estamos a fazer.
Partimos para esta maravilhosa viagem em busca da ciência e do saber praticamente de mãos vazias, mas com a força de vontade que está presente em todas as vitórias da nossa vida colectiva e da nossa História. Não temos professores. Mas os poucos que temos assumiram o desafio de levar o Ensino Superior a todo o país. E abriram as escolas superiores com os cursos que puderam. Foi o primeiro passo que marca o caminho e o ritmo com que vamos caminhar no futuro. O novo Governo tem muito mais trabalho pela frente. 
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