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José Raimundo | Angop
A cobertura dos Media
05 de Fevereiro, 2010
Na recém terminada 27ª edição do CAN, a comunicação social angolana conseguiu comprometer a população com o torneio, não obstante os “normais” obstáculos decorrentes em eventos desse calibre.
Em teoria de jornalismo sabe-se que os Media lançam à sociedade o assunto do dia e, mais exactamente, o modo de pensar tal assunto. É a teoria do agendamento.
Por parte dos Media, foi um desafio à medida de Angola, se tivermos como comparação as outras tarefas difíceis para que o país vai, pouco a pouco, buscando soluções.
A realização de um acontecimento mediático como o CAN’2010 requer dos jornalistas uma atitude temerária e uma preparação profissional adequada. Embora não se tenha ainda grande número de técnicos superiores em comunicação social, o que é desejável, os Media souberam prestar um serviço público aceitável à população.
Se se fizer um breve “flash back”, notar-se-á que num tempo recente outros desafios de não menos importância se depararam, como o da cobertura das eleições em 2008 e a vinda a Angola de Sua Santidade Papa Bento XVI, em 2009. Neste caso particular a imprensa luandense mostrou já capacidade de actuação, em grande escala.
No CAN de Angola, além do envolvimento dos “opinionmakers” internos, a praça nacional contou também com o auxílio de jornalistas vindos de Portugal. São os casos de Rui Almeida e Carlos Dolbeth. O primeiro esteve a colaborar na Luanda Antena Comercial (LAC), na condição de relator, para reforçar o “maduro” painel de jornalistas e comentadores desportivos da estação radiofónica do Maculusso. Nesta estação formou-se uma equipa que, como se diz no mundo do desporto, qualquer “treinador” gostaria de ter. O segundo, Carlos Dolbeth, do Rádio Clube Português, esteve a relatar pela Rádio Mais, estação filial do Grupo Média Nova.
Com vista a uma melhor cobertura do CAN, a maior parte dos órgãos criou páginas especiais (ou espaços, casos das rádios e televisões) para um acompanhamento mais pormenorizado da competição.
Acerca do desempenho da imprensa nacional, Gerárd Dreyfus, um jornalista francês com mais de 40 anos de experiência que esteve a assessorar o presidente da CAF, Issa Hayatou, qualificou-o de extraordinário e formidável, num encontro com os profissionais que cobriam o CAN’2010, no Centro de Formação de Jornalistas (Cefojor).
O comité organizador da prova (COCAN), desde as suas quartas-feiras de imprensa, antes da competição, até ao acompanhamento dos jornalistas no evento, foi fundamental para o trabalho dos Media nacionais e não só.
Na vertente ético-deontológica notou-se um esforço dos profissionais em cumprir com os pressupostos do jornalismo para se procurar a desejada objectividade.
Contudo, a emoção e tomada de posição pareceram estar claras em alguns jogos, o que não é novidade quando se fala de desporto.
Fez-se um trabalho aceitável, mas ainda se pode fazer melhor se se apostar na formação. 
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