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António Luvualu de Carvalho |*

Nova geopolítica da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa

10 de Fevereiro, 2012
A nova dinâmica mundial faz com que os países procurem, cada vez mais, ferramentas para ultrapassarem algumas questões que sozinhos não podiam resolver. Nesta ordem de ideias, com o final da II Guerra Mundial, apareceram uma série de organizações que procuraram unir nações em diferentes aspectos.
Nos anos 1960, com as independências em África, o processo chegou ao nosso continente e com o fim da Guerra-fria, as organizações entre Estados cresceram já que se foram abrindo novas portas num mundo cada vez mais globalizado. Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal e São Tomé e Príncipe criaram, em 17 de Julho de 1996, a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), à qual se juntou, em 2002, Timor-Leste após conquistar a independência.
Contrariamente ao que muitos defendem, apesar de ser uma organização que assenta principalmente em questões culturais e linguísticas, estes dois vectores não retiram, em nada, a sua importância, apesar de haver quem defenda que ela tinha mais protagonismo se optasse por um carácter mais económico.
O entendimento que existe na CPLP, a harmonia e o seu progresso refutam qualquer teoria menos abonatória, já que há pelo mundo muitas organizações económicas que não possuem a mesma dinâmica que ela tem. Aliás, estamos sempre todos mais unidos quando falamos a mesma língua e esse factor só tem levado ao seu sucesso.
Na segunda-feira, assistimos todos orgulhosamente ao Vice Presidente da República, Fernando da Piedade Dias dos Santos - em representação do Chefe de Estado, José Eduardo dos Santos, que neste momento exerce a presidência da organização - a inaugurar em Lisboa, ladeado pelo Presidente de Portugal Cavaco Silva, a sede da organização, no Palácio do Conde de Penafiel, majestoso edifício do final do século XVIII.
Quando muitas lideranças não acreditavam no sucesso da organização, Angola investiu e mandou para a CPLP muitos quadros e tem a honra do primeiro secretário executivo da organização ser angolano. Mesmo num período difícil como o da guerra civil no país, nos anos 1990, andou sempre lado a lado com Portugal como impulsionador da organização. Hoje, há uma nova geopolítica, pois as questões do crescimento económico são díspares entre os oito Estados membros. Portugal enfrenta uma gravíssima crise económica com as agências de notação de crédito a baixarem o seu rating e com individualidades como o presidente do Parlamento Europeu, Martin Schulz, a considerarem que o futuro daquele país é o declínio, depois de Angela Merkel ter criticado a forma como os fundos estruturais da União Europeia foram utilizados na Madeira, mas a situação é totalmente diferente em Angola e no Brasil.
O ultimo relatório World Economic Outlook do Fundo Monetário Internacional FMI refere que a economia de Angola cresce, este ano, 10,8 por cento, muito acima da economia mundial que vai subir 4 por cento e mesmo da média de crescimento estimada para o conjunto das economias emergentes e em desenvolvimento, 6,1 por cento.
O forte crescimento da economia angolana, num contexto que se prevê seja marcado pela incerteza – pela desaceleração global e, em consequência, pelo recuo significativo no preço das matérias-primas, designadamente do petróleo – fica a dever-se, essencialmente, refere o documento do FMI, a “uma forte recuperação na produção petrolífera, após uma interrupção em 2011”.
O Brasil, revelam os últimos relatórios económicos, ultrapassou o Reino Unido e tornou-se na sexta maior economia do mundo, pois teve o crescimento fortalecido pelas exportações e pelo aumento do consumo no mercado interno.
Moçambique, Cabo Verde, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste têm as situações financeiras estabilizadas e com perspectivas de desenvolvimento. Este último país tem mantido uma tendência de crescimento graças a algumas descobertas, que aumentam o seu potencial como futuro produtor de petróleo em larga escala. A Guiné-Bissau conta com o apoio particular de Angola para sair da crise económica e social que vive e já regista grande desenvolvimento reconhecido por todo mundo.
Assim sendo, a nova geopolítica da CPLP está assente na cooperação entre todos os Estados membros. Enquanto os parceiros europeus viram as costas a Portugal, Angola e todos outros países da organização dão sinais de abertura e de cooperação para o ajudar a sair da crise. Ainda no mês passado, o ministro de Estado e dos Assuntos Parlamentares de Portugal, Miguel Relvas, visitou Angola à frente de uma comitiva multidisciplinar no intuito de estabelecer contactos com vários sectores nacionais abertos a cooperar com aquele país e com todos os que queiram trazer desenvolvimento.
A CPLP pode contar com novos membros, como a Guiné Equatorial que já adoptou o português como uma das línguas oficiais Ao tornar-se um membro de pleno direito, pode dar outra dinâmica à organização, pois é dos maiores produtores de petróleo em África.
Concluo reafirmando a ideia que não são apenas factores económicos a determinarem o êxito de uma organização. A cultura e a língua são factores essenciais para o sucesso de tudo que queiramos fazer.
A CPLP tem tudo para se tornar numa organização importante, pois com 272,9 milhões de falantes, o português tornou-se na quinta língua mais falada no mundo, a terceira mais falada no hemisfério ocidental e a mais falada no hemisfério sul.


*Docente Universitário.



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