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Pierre-Henry Deshayes| AFP
Pássaros migratórios sob alta tensão
08 de Dezembro, 2011
Ao longo das suas viagens, flamingos, cegonhas, pelicanos, aves de rapina e outros pássaros migratórios esforçam-se incansavelmente por voar entre as fendas formadas pelos 70 milhões de quilómetros de rede eléctrica instaladas pelo mundo inteiro.
Apenas na região África-Eurásia, milhões de pássaros morrem anualmente numa colisão com os cabos de alta tensão e milhares de outros perdem a vida electrocutados, segundo estudos publicados pela Convenção sobre Espécies Migratórias (CSM) durante a sua conferência internacional em Novembro em Bergen (Noruega).
“Ao lado da caça, as colisões e as eletrocussões são as causas de origem humana que mais provocam a mortalidade dos pássaros”, explica à AFP o ornitólogo holandês Hein Prinsen, relator do estudo.
Para estas aves, que já são vítimas da destruição do seu habitat pelo homem e pelo aquecimento climático, os acidentes representam uma ameaça de declínio da população ou até de extinção das espécies, pelo menos numa escala local. Cada morte é um duro golpe para as espécies de maior porte que possuem uma reprodução geralmente lenta. No grupo das cegonhas, o desaparecimento de um adulto provoca a morte de toda a cria que necessita dos dois pais para sobreviver. “Na situação actual, o leste europeu é um grande buraco negro, principalmente para as aves da ordem Gruiformes e as aves de rapina”, sublinha John O’Sullivan, antigo membro da Royal Society for the Protection of Birds.
“Mas os piores problemas concentram-se em pouco tempo na Índia e na África, onde a rede eléctrica se desenvolve em grande velocidade”, diz O’Sulllivan.
Na África do Sul, 12 por cento dos grous azuis, pássaro nacional, morrem anualmente em colisões. Num local de observação em Camargue, 122 flamingos rosa também perderam a vida dessa maneira em cinco anos.
Incêndios florestais
As colisões são particularmente susceptíveis de acontecer em áreas de encontro, como em pontos de água e corredores de migração, enquanto as eletrocussões acontecem muitas vezes em regiões pobres em vegetação e, portanto, sem poleiros naturais.“O custo para a sociedade é incontestavelmente elevado por causa das avarias eléctricas que paralisam a indústria e podem provocar outras coisas como os acidentes” ligados à escuridão causada pelos apagões, afirma O´Sullivan. “Do ponto de vista financeiro, é sensato tentar resolver o problema”, acrescenta o antigo membro da Royal Society. Os acidentes podem ter consequências gravíssimas. “Sobretudo nas zonas secas, nos Estados Unidos e no leste europeu, as aves chegam a arder. Se elas caem ao chão ainda em chamas provocam incêndios florestais”, explicou Prinsen.
Para prevenir os acidentes, os autores do estudo estabeleceram uma série de medidas. O mais evidente é enterrar os fios de energia, uma solução aplicada com sucesso na Holanda, Grã-Bretanha e Dinamarca, mas que custa mais caro.
Em tempos de crise financeira, outras soluções mais simples e que provaram que funcionam é tornar os fios mais visíveis com alertas visuais, equipá-los com varas e reforçar o isolamento. Para exemplificar, o estudo mostra que a modificação nesse sentido de 46.000 quilómetros de rede eléctrica húngara custaria 220 milhões de euros, 10 vezes menos do que enterrar os fios. Este é o preço a pagar para continuar a ver os pássaros a voar. 
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