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Álvaro Domingos |

Persistir no erro é uma coisa dos diabos

10 de Janeiro, 2012
Errare humanum est, perseverare diabolicum. Esta frase costuma ser erroneamente atribuída ao filósofo Séneca. Mas os latinistas sabem que ela é de Santo Agostinho, o doutor africano da Igreja que tinha uma visão revolucionária da sociedade e por isso foi preterido pela escolástica de São Tomás de Aquino, o que em plena Idade Média proclamou que todo o ser humano é uma dignidade infinita, único e irrepetível.
Setas, Tonet e companhia conhecem todos os meandros do abuso de liberdade de imprensa e transportam-no sem pudor para as páginas do jornal que lhes serve de arma para assassinar moralmente pessoas e instituições. Andam nestes afazeres há anos, não é de agora. Foram eles que transformaram crimes graves de abuso de liberdade de imprensa em arrotos inócuos, que a sociedade encara como normais.
Setas e Tonet sabem o que fazem, ainda que o primeiro seja mais refinado. Por isso, andam nesta vida de matar cidadãos e instituições porque isso lhes dá fortuna e boa vida. Quanto mais roubarem credibilidade ao jornalismo angolano, mais ganham. À medida que a sociedade mede todos os jornalistas por leprosos morais sem ofício nem oficina, mais eles prosperam. São assassinos e fazem figura de cordeiros. Quando passam todas as marcas proclamam: errámos! Mas errar, é humano.
Se a moda pega, o homicida reconhece que errou e a sociedade passa por cima do seu crime um véu de esquecimento. O ladrão que rouba a honra alheia diz com falas mansas que errou e está desculpado. O ladrão dos bens alheios grita alto e bom som que errou e nunca mais se preocupa, pode continuar a roubar e a gritar que errou. Setas e Tonet a partir de agora ficam a saber como se escreve a expressão em latim mas ficam a conhecê-la toda. Errar é humano mas persistir no erro é diabólico. Aquela espécie de jornal que lhes serve de catana para ceifar honras é mesmo uma coisa do diabo. Mas só os Tribunais têm legitimidade para agir.
Há anos que o “Folha 8” ofende gravemente o Presidente da República. Que eu saiba, não é necessária uma queixa para que o Poder Judicial faça o seu papel. O Chefe de Estado tem protecção especial e cabe ao Ministério Público agir quando é atacado o seu Direito à Inviolabilidade Pessoal. Deixemos o Ministério Público fazer o seu trabalho. E os Tribunais que ditem a última palavra.
Até lá, os jornalistas têm que decidir se aceitam viver num ambiente de calúnia, difamação, intriga, insultos gratuitos, graves atentados à honra dos cidadãos, sejam ou não titulares de órgãos de soberania.
Os jornalistas é que têm de decidir, de uma vez por todas, se podem continuar a viver numa ambiente em que a sua credibilidade é espezinhada e os códigos de conduta que se impõem a todos os profissionais são pura e simplesmente ignorados. Se querem ser reconhecidos pela sociedade como indispensáveis ao regime democrático, têm de expulsar os que se especializaram no abuso da liberdade de imprensa e lançam lama para cima de pessoas e instituições, porque têm as costas quentes por quem lhes paga por baixo da mesa.
Os jornalistas angolanos têm de decidir agora se querem fazer parte de uma classe digna e honrada ou se preferem ficar na bicha de certas embaixadas à espera do prato de lentilhas que recebem sempre que violam a Lei de Imprensa e o código ético e deontológico em vigor, aprovado pelo Sindicato dos Jornalistas e as associações patronais. Quem diz de uma embaixada, também pode dizer de pessoas e organizações em Angola que os compram barato, para ventilarem lixo e aldrabices sob a capa de “jornalismo de investigação”.
Os jornalistas angolanos têm de decidir agora se querem ser dignos de um país livre e democrático. Se querem fazer do rigor, da imparcialidade e do respeito pela verdade dos factos o seu modo de vida ou, pelo contrário, vão continuar a fazer assassinatos por encomenda, extorsões, campanhas difamatórias ou a promover o banditismo informativo.
Errar é humano mas persistir no erro é coisa dos diabos! Tonet e Setas andam há anos a cometer gravíssimos crimes de abuso de liberdade de imprensa na maior das impunidades. Nesta empreitada, não estão sós. Outros, de infectos pasquins, em papel ou na Internet, acompanham-nos alegremente. Receberam dos donos ordens para arrasarem a credibilidade e a honra do jornalismo angolano. E eles, a troco de uns restos, não deixam pedra sobre pedra.
Quem quiser continuar nesta rota, que dê o braço ao Setas e ao Tonet pois fica em boa companhia. Quem tiver vergonha e achar que é inaceitável que uns poucos falsos profissionais façam do jornalismo angolano uma actividade de malfeitores, então que diga basta.
Uma coisa é certa. Se não forem os jornalistas honrados a cuidar da sua casa, ninguém vai fazê-lo por eles. Os assassinos da honra, da verdade, do rigor, da credibilidade, estão organizados numa redacção única e todas as semanas cometem graves crimes de abuso de liberdade de imprensa, gozando com os verdadeiros jornalistas.
Os jornalistas honrados são muitos mais do que eles e por isso, antes que seja tarde, têm de acabar com o lixo que ameaça submergir-nos a todos. Persistir no erro é criminoso e uma coisa do diabo!

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