Observatório do Balão
Arnaldo Santos |

A sorte das mudanças

17 de Janeiro, 2012
A sorte das mudanças não é sempre pacífica e são raros os que não as temem, mesmo aqueles que dizem que não têm nada a perder. Eu não acredito nisso. Quem não tem nada a perder, enquanto se está vivo? Sempre fica alguma coisa, nem que seja o respeito que cada um deve ter por si próprio. A passagem de um estado a outro do qual não se conhece previamente as suas novas formas, provoca sempre arrepios inesperados nos mais tesudos. Não quero falar das mudanças sociais que estas implicam sempre contradições e quantas vezes sérios antagonismos que perduram sem razão válida e mais pela força da inércia.
Refiro-me as mudanças em geral como lei suprema da vida e as que escapam ao controlo do Homem, tais como as mudanças climáticas, sobre as quais ele não é ouvido nem achado, já que se diverte em querer brincar com a natureza da qual depende. Aqui na banda, com excepção da desmatação das florestas de maneira controlada (presumo com uma grande dose de boa vontade) e apenas para utilização da madeira para a indústria mobiliária, a distribuição da Levita, a nova botija de gás butano (passe a publicidade) vai fazer parar o derrube das árvores para carvão. Será que me estou a antecipar às mudanças de costumes nas zonas rurais? Adiante.
No Mundo ainda não somos dos que agridem mais a Natureza e esta convicção faz com que eu observe com estranheza a falta de chuvas em Luanda. Receio que à semelhança do Bié e Moxico elas apareçam de supetão e carreguem as barrocas do Miramar caté nas praias da Boavista. Neste momento os calús interrogam-se mesmo, porque razão quase que já não têm clima? As diferenças das temperaturas máximas e mínimas não vão além de 5 a 6 graus. É caso até para dispensar os amarradores da chuva. Mudança desta envergadura dá que pensar embora elas tenham começado a ameaçar.
A sorte das mudanças em relação ao clima depende dos grandes poluidores que são do conhecimento geral: EUA, China e a Índia. Ninguém escapa aos seus ditames do tempo em que vive e no nosso planeta tem lugares onde a mudança demora a chegar ou se vai instalando de maneira insidiosa, tal como as borrascas e as trombas de água que ameaçam no horizonte e demoram a cair. Precisamos de nos prevenir das ravinas que elas depois causarão. Assim demanda o Papa Bento XVI ao pedir para salvaguardar o ambiente e a comunidade internacional a “preparar-se para a Conferência da ONU sobre o Desenvolvimento Sustentável (Rio+20)”. Assim demanda também a Federação dos Comités de Solidariedade
com a África Negra para denunciar as multinacionais que apoiam uma guerra que já fez cinco milhões de mortos na RDC e região dos Grandes Lagos em virtude da exploração do coltan – o ouro cinzento - um minério estratégico destinado ao desenvolvimento das novas tecnologias. Poderiam ampliar-se os exemplos dos que aspiram por mudanças no Mundo.
Eu olho com reservas para alguns casos e mau grado o risco de ser apodado de conservador, permito-me a pôr as minhas barbas brancas de molho para a eventualidade do acordo, almejado por muitos países da África Central, com vista a livre circulação dos seus mais de 100 milhões de habitantes nessa região. Seria uma mudança de efeitos catastróficos para o nosso país onde as muitas mudanças necessárias que ainda temos de efectuar não passam por essas experiências tão temerárias e aguardam melhores tempos. De qualquer forma, creio que podemos ficar tranquilos pois parece ser essa também a posição das autoridades angolanas na Cimeira de Chefes de Estado em Ndjamena.

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