Política

Comissão do Golfo da Guiné com contribuições atrasadas

Santos Vilola - 23 de Setembro, 2009

Miguel Trovoada esteve reunido com o Chefe de Estado no Palácio da Cidade Alta

Fotografia: Francisco Bernardo

 

O Secretariado da Comissão do Golfo da Guiné está a viver fundamentalmente do apoio financeiro de Angola, oito meses depois da instalação da sua sede em Luanda. O país, que preside à organização há dez meses, está a suportar até agora os custos da instalação da Comissão, por falta de contribuição de alguns dos seus Estados membros, afirmou ontem o secretário-executivo, Miguel Trovoada.
O orçamento da Comissão do Golfo da Guiné, aprovado em Março último, tem um plano de acção estimado em quatro milhões de dólares, montante que a organização precisa para funcionar, afirma Miguel Trovoada.
O secretário executivo da Comissão do Golfo da Guiné reconheceu que muitos Estados membros contribuíram para o funcionamento da organização, mas outros ainda não cumpriram a sua obrigação.
Ontem, o Chefe de Estado, José Eduardo dos Santos, actual presidente em exercício da organização, recebeu um relatório de actividades sobre o funcionamento da Comissão, desde a sua instalação na capital angolana.
O documento, segundo Miguel Trovoada, resume as actividades desenvolvidas nos últimos meses pela organização e as suas perspectivas imediatas. Depois de aprovar o orçamento e iniciar o processo de redimensionamento do seu secretariado em Luanda, a organização iniciou um processo de selecção de quadros para o funcionamento, mas dificuldades financeiras, segundo Miguel Trovoada, não permitiram ainda avançar para a fase de enquadramento.
Miguel Trovoada reconheceu que o secretariado da organização enfrenta dificuldades para executar o orçamento na sua globalidade por falta de meios financeiros, atrasando a execução do seu plano de acção.
O secretário-executivo admitiu que a actividade material da organização está a ser afectada pelas dificuldades financeiras, mas diz que há indicação de que os Estados membros em falta vão fazer a sua contribuição em breve.
São Tomé e Príncipe mostrou-se indisponível em albergar uma reunião da organização sobre estabilidade e segurança na região, segundo o secretário-executivo da Comissão do Golfo da Guiné. A organização está agora a analisar a oferta de outro Estado membro para acolher a reunião, em Outubro próximo.
Angola assumiu em Novembro último, durante a segunda cimeira da organização, a presidência rotativa da organização. O Chefe de Estado angolano é, por isso, o actual presidente. O secretariado executivo da Comissão do Golfo da Guiné está sedeado em Luanda (Angola), desde a sua fundação, em 1999.
A Comissão do Golfo da Guiné trabalha para a cooperação e o desenvolvimento, para a prevenção, gestão e solução dos conflitos ligados à delimitação das fronteiras, exploração económica e comercial das riquezas naturais localizadas nos limites territoriais. Esta organização tem por objectivos reforçar os laços de cooperação e solidariedade que existem entre os estados membros, criar as condições de confiança mútua, paz e segurança propícias ao desenvolvimento harmonioso dos estados membros.
A organização é integrada por Angola, Nigéria, República Democrática do Congo, Congo-Brazzaville, São Tomé e Príncipe, Gabão, Camarões e Guiné Equatorial.
 
Banco Espírito Santo
anuncia parceria


O desenvolvimento da economia nacional em vários sectores pode contar com a disponibilidade total do Banco Espírito Santo. O presidente do Conselho Executivo do Banco Espírito Santo, Ricardo Salgado, manifestou ontem, em Luanda, a disponibilidade daquele banco privado português em continuar a investir em Angola, sobretudo no sector financeiro.
O banqueiro português, que ontem foi recebido pelo Presidente da República, José Eduardo dos Santos, afirmou que tem estado a sentir progressivamente um envolvimento maior na área financeira e não financeira com o Estado angolano e colaboração para o desenvolvimento das relações económicas e financeiras.
Ricardo Salgado, que falava à imprensa no final da audiência com o Presidente José Eduardo dos Santos, considerou “muito importante” que Angola continue a dar apoio a grupos privados que queiram investir em Angola, porque no seu entender a evolução do sector privado é fundamental para a economia nacional.
Angola, segundo o banqueiro português, deve conseguir atrair investidores para impulsionar o seu crescimento. O BES tem um acentuado crescimento no país com bons resultados.
O banco tem 33 balcões em Angola e, segundo Ricardo Salgado, está a pensar já numa segunda fase de desenvolvimento internacional do BES-Angola para dar um contributo importante ao desenvolvimento nacional.
Como prova do crescimento do BES em Angola, segundo Ricardo Salgado, está a construção de edifício de Luanda, que representou um investimento de 150 milhões de dólares. Aquele banco privado está igualmente a construir uma nova sede em Luanda, que deve ficar concluída nos próximos dois anos.