Política

Porto Amboim recorda heróis

Casimiro José | Sumbe - 03 de Fevereiro, 2012

Delegação chefiada pelo conselheiro da Forças Armadas Angolanas Agostinho Gaspar esteve ontem no Marco Histórico do 4 Fevereiro

Fotografia: Eduardo Pedro

A cidade de Porto Amboim, na província do Kwanza Sul, acolhe amanhã o acto central das comemorações do 4 de Fevereiro, data do início da luta armada de libertação nacional, assinalada sob o lema “honremos a memória dos nossos heróis, preservando a paz e a democracia”.
O ponto alto das comemorações é o comício presidido pelo ministro dos Antigos Combatentes e Veteranos da Pátria, Kundi Paihama. O programa oficial inclui actividades culturais e recreativas, bem como a inauguração de empreendimentos económicos e sociais. Também estão previstas visitas a uma empresa metalo-mecânica ligada ao ramo petrolífero e aos sistemas de abastecimento de água aos bairros 4 de Fevereiro e Tango.
A delegação encabeçada por Kundi Paihama integra o ministro da Educação, Pinda Simão, o vice-ministro da Administração do Território para os Assuntos Eleitorais, Adão de Almeida, e a secretária de Estado para o Desenvolvimento Rural, Filomena Delgado.


Nacionalistas




O coordenador do Comité dos Heróis do 4 de Fevereiro defendeu  que é preciso publicar e divulgar em livros e brochuras, os acontecimentos do 4 de Fevereiro de 1961.
Bernardo da Silva defendeu esta posição quando dissertava numa palestra por ocasião do 51º aniversário do início da Luta Armada e de Libertação Nacional, dirigida a oficiais generais e superiores do Estado-Maior General das Forças Armadas Angolanas.
O nacionalista disse ainda que a publicação de livros sobre os acontecimentos do 4 de Fevereiro de 1961 vai enriquecer o acervo da História de Angola. Lembrou que, com a publicação dos acontecimentos sobre o 4 de Fevereiro, as novas e futuras gerações ficam mais informadas e vão compreender os objectivos que nortearam aquela acção histórica por parte dos nacionalistas angolanos. Bernardo da Silva informou que o Comité dos Heróis do 4 de Fevereiro recolheu, recentemente, depoimentos de alguns membros e entregou-os para publicação. O general Matias Dias Coelho “Zumbi” disse que a palestra foi interessante. “O prelector contou coisas interessantes, como por exemplo o facto de terem conseguido mobilizar 3.124 pessoas para fazerem o assalto a várias sítios que representavam a soberania do governo português naquela altura”, disse. Matias Coelho “Zumbi”, defendeu a necessidade dos historiadores começaram a trabalhar sobre os factos reais do 4 de Fevereiro de 1961.
O general Cruz Fonseca reconheceu que se hoje as Forças Armadas Angolanas estão constituídas foi graças às acções heróicas dos “bravos nacionalistas” do 4 de Fevereiro e outros que deram sequência à luta armada.


Homenagem ao heróis


Em homenagem aos heróis de libertação nacional, o conselheiro das Forças Armadas Angolanas, Agostinho Gaspar, depositou uma coroa de flores ontem no Marco Histórico do 4 de Fevereiro.
O conselheiro das FAA, que falava em homenagem aos heróis da luta de libertação nacional, dirigiu uma palavra aos jovens, no sentido de honrarem a pátria, lutarem pelos ideais daqueles que iniciaram a luta armada, com especial atenção para o 4 de Fevereiro que transcende qualquer outro acto porque marca o inicio da luta armada, tendo em conta as orientações dos nossos dirigentes políticos.
O conselheiro das FAA, Agostinho Gaspar, afirmou que passados 51 anos desde o acontecimento histórico, a data está sempre presente no coração dos angolanos, tendo em conta os feitos dos heróis que protagonizaram acto inesquecíveis que vão orientar cada vez mais as gerações vindouras, que se vão sentir orgulhosas por nascerem num país livre.
Agostinho Gaspar declarou à imprensa que as “Forças Armadas Angolanas têm honrado sempre os heróis do 4 de Fevereiro, cada vez que exercem as suas funções com responsabilidade e demonstram coragem e actos de bravura, inclusive com o sacrifício das próprias vidas”. E disse que é preciso seguir o exemplo dos heróis do 4 de Fevereiro: “quando vamos para uma missão não temos que ter em conta o perigo de morrermos, porque o militar cumpre a missão em quaisquer circunstâncias e não foge às suas responsabilidades”.
Francisco Manuel, chefe de secção em exercício da cultura no município de Cazenga, recordou que o 4 de Fevereiro de 1961, abriu uma nova via para a liberdade, com o acender do facho da luta armada de libertação nacional, que veio culminar vitoriosamente com a proclamação da Independência Nacional, a 11 de Novembro de 1975.


Kuando Kubango


Uma palestra sobre o 4 de Fevereiro de 1961 na 5.ª Divisão de Infantaria da Região Militar Sul marcou a abertura das actividades alusivas ao 4 de Fevereiro no Kuando-Kubango. O director provincial da Juventude e Desporto, Manuel Franessa, que foi o orador, destacou o papel fundamental dos nacionalistas na conquista da independência do país.
A brutalidade contra os presos políticos, os massacres da Baixa de Cassanje, assim como os assassinatos de pessoas indefesas, levou os nacionalistas a organizarem-se para a luta armada de libertação, que culminou com a proclamação da independência nacional em 11 de Novembro de 1975.


Repúdio às atrocidades


Lourenço Neto, sobrevivente dos acontecimentos de 4 de Fevereiro de 1961, disse, à Angop, que o início da luta armada de libertação nacional foi “a forma mais contundente e expressiva dos angolanos repudiarem as atrocidades do regime colonial”.
O deputado à Assembleia Nacional declarou que as acções do 4 de Fevereiro marcaram o mundo em termos políticos e que se passou da teoria à acção porque se concluiu que apenas com a luta política na clandestinidade não se conseguia atingir os objectivos.
Entre as muitas injustiças do regime colonial, lembrou que havia angolanos obrigados a cultivar algodão para depois o venderem a preço injusto estabelecido pelo comprador. “Foram acções de bravura, de nacionalismo e de coragem”, sublinhou.
Lourenço Neto disse que os jovens se devem inspirar neste exemplo de patriotismo para participarem nas “ingentes tarefas” de desenvolvimento do país e sugeriu-lhes que se empenhem nos estudos para assumirem a responsabilidade de conduzirem os destinos de Angola. O deputado reafirmou que o Executivo está apostado em melhorar as condições sociais dos “combatentes pela liberdade”.
Faltou tempo, referiu, para dar mais atenção aos que no projecto da Independência Nacional colocaram uma pedra, pois após a conquista da liberdade o país mergulhou numa guerra que somente terminou há menos de dez anos.
No Lobito, as actividades comemorativas compreendem uma visita ao Lobito Velho e uma palestra sobre a luta armada de libertação nacional, com destaque para a bravura dos combatentes que, na madrugada do 4 de Fevereiro de 1961, assaltaram a cadeia de São Paulo e a Casa da Reclusão, em Luanda.


* Com César André e Edna Dala