Política

Violência contra a mulher na cimeira do G-8

Yara simão | Enviada a Roma - 07 de Setembro, 2009

Genoveva Lino na reunião do G-8 sobre a igualdade do género em Roma

Fotografia: Jornal de Angola


A violência contra a mulher é tema de um encontro das ministras do género das oito economias mais poderosas do mundo (G-8), a ter lugar nos dias 9 e 10, em Roma, Itália. Angola está representada na cimeira pela ministra da Família e Promoção da Mulher, Genoveva Lino, como convidada de Mara Carfagma, sua homóloga italiana.
Com chegada a Roma marcada para amanhã, Genoveva Lino vai apresentar no encontro, quarta e quinta-feira, os indicadores da situação da violência doméstica e contra a mulher no país, os métodos de combate ao fenómeno, além de outros desenvolvimentos em matéria de equilíbrio do género.
Em entrevista ao Jornal de Angola, a ministra revelou que o encontro tem como principal objectivo sensibilizar a comunidade internacional para o tema da violência, que considera “transversal a todas as sociedades e de urgência global”.
Da agenda constam também outros temas como o assédio sexual, acesso à educação, mutilação genital, as famílias e a cultura, integração das jovens e crianças que, nos últimos tempos, têm passado por situações indesejáveis.
A ministra garante que este encontro é importante para Angola porque vai conhecer novas experiências, relativamente à forma de tratamento dos casos de violência e pelo reconhecimento por parte da comunidade internacional de que o país tem estado a seguir, a passos firmes, no seu desenvolvimento e na consolidação da paz e reconstrução nacional.
Para Genoveva Lino, a participação do Presidente da República, José Eduardo dos Santos, na reunião dos oito países mais desenvolvidos do mundo, realizada recentemente em Áquila (Itália), abriu portas para que o país marque presença em todos os fóruns promovidos pelo G-8. “A participação do Presidente fez com que as portas se abrissem para Angola. Hoje, estamos a participar em acontecimentos mundiais, isso é um ganho e dá-nos uma posição privilegiada”, disse a ministra da Família e Promoção da Mulher. Genoveva Lino informou que a violência doméstica ainda continua a ser preocupante já que, por dia, registam-se, em média dez casos, sem contar as situações que não são denunciados pelas vítimas. “A situação no país ainda é preocupante. Ouvimos casos de mulheres que foram gravemente espancadas pelos maridos e filhos. Precisamos ainda mobilizar, sensibilizar e formar agentes para educar a população”.


A ministra garantiu que está mais próxima de ser aprovada uma norma para punir os prevaricadores. “A Lei tem de ser bem analisada para que possa produzir os efeitos para qual está a ser criada. Nós acabamos a versão que foi discutida a nível nacional e aguardamos pela parte dos penalistas para que a possa ser aprovada na Assembleia Nacional”, sustentou.
Genoveva Lino disse ainda que no primeiro semestre do ano, o seu ministério empenhou-se na revitalização dos programas relativos a questões de género e na formação dos agentes de aconselhamento, teve vários encontros de mobilização e sensibilização contra a violência no género e contra a mulher, realizou um programa de alfabetização no seio das mulheres, jovens e crianças a nível do país.
“Temos estado a empenhados numa campanha de sensibilização, relativos à valorização dos valores morais e cívicos, onde todos os cidadão são convidados a participar no combate à violência doméstica”, disse a ministra angolana, acrescentando que já se vê alguns frutos da actividade.