"A Dama do Mar" sobe aos palcos no Rio


3 de Julho, 2014

Fotografia: DR

A actriz e produtora Tânia Pires e o director Paulo de Moraes a­presentam hoje às 21h00 e até 24 de Agosto, na Casa de Cultura Laura Alvim, no Rio de Janeiro, o espectáculo “A Dama do Mar”, primeira peça simbolista do autor Henrik Ibsen, com adaptação de Maurício Arruda Mendonça.

Dez anos depois de encenarem “O pequeno Eyolf", que ao longo de três anos rendeu temporadas no Brasil e participação no Ibsen Festival, em Oslo, Noruega, Tânia Pires e Paulo de Moraes voltam a encontrar-se para mais uma vez trazer à cena a obra do dramaturgo Henrik Ibsen, para uma temporada de dois meses, com produção da Vetor Produções e realização da Talu Produções.
O espectáculo tem no elenco Tânia Pires  (personagem de Ellida), Zeca Cenovicz  (Wangel), Andressa Lameu (Hilda), Renata Guida (Bolette), Joelson Medeiros (Professor Arnon), Leonardo Hinckel (Lyngstrand) e João Vitti (actor convidado - Estrangeiro), com cenografia de Paulo de Moraes,  iluminação de Maneco Quinderé,  figurinos de Carol Lobato e trilha sonora de Ricco Viana.
Dividindo o trabalho de actriz com a produção do espectáculo, Tânia Pires tem uma especial ligação com o autor, a quem atribui alguns dos principais momentos da sua carreira: “Além do sucesso da montagem de 'O pequeno Eyolf’, que tivemos a honra de apresentar no mais importante festival dedicado a Ibsen, na sua terra natal (Noruega), foi através da sua obra que percorri os países de língua portuguesa ministrando seminários, para mais tarde criar o Festival de Teatro da Língua Portuguesa - Festlip, que em Agosto deste ano chega à sua sexta edição”, resume.
“Já tinha a ideia de montar esse espectáculo há algum tempo e a escolha do Paulo para dirigi-lo foi óbvia para mim. Acho instigante a maneira como ele desconstrói o texto, ressaltando o que há de essencial na história, assim como o trabalho minucioso do Maurício nesta versão”. No palco, Tânia Pires encarna a atormentada Ellida, que, presa ao passado, se sente deslocada num casamento infeliz com um homem mais velho, o viúvo Wangel (Zeca Cenovicz), e dividida com a possibilidade de uma nova vida ao lado do misterioso Estrangeiro (João Vitti), enquanto lida com a rejeição das enteadas Hilda (Andressa Lameu) e Bolette (Renata Guida), e a visita do ex-amante professor Arnon (Joelson Medeiros) e do vizinho ingénuo  e sonhador Lyngstrand (Leonardo Hinckel).
Ambientada nos fiordes noruegueses, a trama tem como importante elemento simbólico a água, que remete a mitos ligados ao ser feminino, e é explicitado através do fascínio de Ellida pelo mar. E é literalmente na água onde se desenrolam algumas cenas, mais precisamente dentro de um imenso aquário de três metros de altura, criado por Paulo de Moraes, que também é responsável pela cenografia. Um plano ligeiramente inclinado e alguns objectos cénicos, como cadeiras e malas, completam a cena.

Henrik Ibsen   

Nascido em 20 de Março de 1828, em Skien, uma pequena cidade da Noruega, Henrik Ibsen viu a sua família enfrentar dificuldades financeiras quando ainda era pequeno. A partir dos 16 anos, trabalhou por seis anos como assistente de farmacêutico para se sustentar. Tentou depois estudar medicina, mas não passou nos exames para a universidade. Já envolvido com literatura, assistia a peças de grupos itinerantes e começou a se interessar por dramaturgia. O seu primeiro trabalho foi Catilline, de 1849, um drama escrito em versos brancos, próximo ao estilo de Shakespeare.
Director artístico da Armazém Companhia de Teatro, o autor e cenógrafo Paulo de Moraes é formado em jornalismo e começou a sua carreira no teatro em 1984, ao actuar na montagem do director José Antonio Teodoro de “Toda nudez será castigada", de Nelson Rodrigues. Estreou na direcção três anos depois com alunos das oficinas teatrais que ministrava no Colégio Delta, formando a Companhia Dramática Bombom Pra Que Se Pirulito Tem Pauzinho Pra Se Chupar. No ano seguinte monta Périplo, o Ideograma da Obsessão, baseado na obra de Oswald de Andrade.
Tânia Pires, formada pela Casa de Artes de Laranjeiras (Cal), é graduada em Produção e Marketing Cultural pela Universidade Cândido Mendes, no Rio de Janeiro. Em mais de duas décadas como actriz, já trabalhou com Moacyr Góes, integrando a sua companhia, Zé Celso Martinez, Paulo de Moraes, entre outros directores de renome. Com experiência em produção desde 1987, abriu a produtora Talu Produções em 2003. No ano seguinte realizou a peça “O Pequeno Eyolf", com direcção de Paulo de Moraes, no qual actuou e produziu. O espectáculo ficou em cartaz em 2004, 2005 e 2006, exibido por todo Brasil.

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