Cultura

“A Forma da Água” é o grande vencedor

O realizador mexicano Guillermo Del Toro conquistou, domingo, mais uma estatueta de ouro, na 90.ª edição dos Óscares, tendo aproveitado a cerimónia para apelar o “apagar fronteiras”, num recado claro ao Presidente Donald Trump.

Guillermo Del Toro exibe o troféu da mais importante distinção atribuída anualmente pela maior indústria cinematográfica
Fotografia: ADRIEN BARBIER | afp

“A Forma da Água” conquistou o Óscar 2018 de Melhor Filme e de Melhor Realizador e se consagrou como o grande vencedor da 90.ª edição da galardoação mais pop do cinema mundial.
O evento, promovido Academia de Artes e Ciências Cinematográficas dos EUA, aconteceu, domingo, no Teatro Dolby, em Los Angeles, apresentado pelo comediante Jimmy Kimmel.
“"A Forma da Água” mostra a relação de uma mulher muda e uma criatura misteriosa. De acordo com a sinopse,  Elisa é uma zeladora muda que trabalha num laboratório onde um homem anfíbio é mantido em cativeiro. Quando Elisa se apaixona com a criatura, ela elabora um plano para ajudá-lo a escapar com a ajuda de seu vizinho.
O mexicano Guillermo Del Toro conquistou o Óscar de Melhor Realizador pelo filme “A Forma da Água”, tendo garantido a quarta vitória de um realizador mexicano nos últimos cinco anos.
O britânico Gary Oldman levou o Óscar de Melhor Actor pelo papel em “O Destino de uma Nação” e a norte-americana Frances McDormand conquistou a estatueta de Melhor Actriz pelo seu desempenho em “Três Anúncios para Um Crime”, e convidou todas as mulheres indicadas na premiação a ficarem de pé.
O actor Sam Rockwell conquistou o Óscar de Melhor Actor Coadjuvante, em "Três Anúncios para Um Crime" e Allison Janney levou o prémio de Melhor Actriz Coadjuvante, pelo drama “Eu, Tonya”.
Pela primeira vez o Chile levou a estatueta de Melhor Filme Estrangeiro com a película “Uma Mulher Fantástica”, que se tornou o primeiro filme (longa-metragem) estrelado por uma pessoa transexual a levar um Óscar.
Com 89 anos, James Ivory é o ganhador mais velho de um Óscar na história pelo roteiro adaptado de “Me chame pelo seu nome”, enquanto Jordan Peele se tornou o primeiro negro a ganhar o Óscar de Roteiro Original, pela película “Corra!”.
O director de fotografia Roger Deakins, de 68 anos, finalmente saiu da fila ao ganhar o seu primeiro Óscar na 14ª indicação. Kobe Bryant, jogador de basquetebol, le-vou uma estatueta pelo curta “Dear Basketball”, sendo ele roteirista e narrador do filme. Após a “gafe” no ano passado, os envelopes deram pouco espaço a erros. O nome de cada categoria aparecia em tamanho gigante. Funcionou sem desastre deste tipo em 2018.

Reacções dos cineastas

Guillermo Del Toro falou da importância de “apagar fronteiras” e fez uma referência indireta à proposta do Presidente dos EUA, Donald Trump, de construir um muro entre os Estados Unidos e o México.
“Eu sou um imigrante, como Alfonso (Cuarón), Gael (Garcia Bernal) e muitos de vocês. A melhor coisa no nosso sector é poder apagar as linhas, as fronteiras. Muros só vão piorar as coisas”, disse Del Toro.
“Todos nós temos uma história para contar. Vamos falar dos nossos projectos, que precisam de financiamento. Temos que ter inclusão”, disse Frances Mc-Dormand.
Kimmel destacou no seu discurso inicial as campanhas contra a má conduta sexual homens e a desigualdade de género, lembrando que apenas 11 por cento dos filmes são feitos por mulheres.
“No ano em que os homens se equivocaram tanto, as mu-lheres começaram a sair com peixes”, brincou Kimmel, referindo-se à história de “A Forma de Água”.
Jimmy Kimmel citou o produtor Harvey Weinstein, alvo de dezenas de acusações de assédio. “Nós não podemos deixar que maus comportamentos aconteçam mais, o mundo  nos observa, precisamos dar um exemplo”.
As actrizes Ashley Judd, Annabella Sciorra, e Salma Hayek falaram contra o assédio sexual e apresentaram um vídeo sobre representação de mulheres, negros e imigrantes em Hollywood. Elas mencionaram o "Time's Up", criado para combater os crimes sexuais em Hollywood.
“As mudanças vêm de novas vozes, vozes diferentes. Um coro poderoso está dizendo: “time's up” (chegou a hora). Gostaríamos de falar dessas pessoas que deram tudo e acabaram com essa discussão enviesada em relação a gênero e etnia", disse Judd
“Viva: A vida é uma festa”, vencedor da categoria Me-lhor Animação, exalta a cultura do México, em tempos de crescente tensão xe-nófoba nos Estados Unidos. Ao receber o prémio, os produtores do filme celebraram o país e falaram sobre representatividade.
O prémio de Melhor Curta-Metragem ficou com Rachel Shenton, roteirista de "The silent child", cujo discurso foi feito em sinais. O filme conta a história de uma adoslescente surda que aprende a língua de sinais com uma assistente social.
O realizador do documentário “Ícaro”, Bryan Fogel, dedicou o prémio a Grigory Rodchenkov, o russo que delatou o esquema de doping e é a personagem central do filme. Bryan disse que “Grigory está em grande peri-go”actualmente. Ele também disse que o filme ressalta a importância de “sempre contar a verdade, agora mais do que nunca”.

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