Cultura

"A Ilha dos Cães" abre ciclo de cinema

Amilda Tibéria |

A exibição do filme “A Ilha dos Cães”, de Jorge António, que retrata duas Angolas, a colonial e a actual, distanciadas 60 anos, que partilham a maldição de uma ilha misteriosa, abre hoje, às 18h30, no auditório do Banco Económico em Luanda, o projecto Ciclo de Cinema Messu, que decorre até 11 de Agosto.

Ciclo de Cinema Messu arranca hoje em Luanda com a exibição do filme de Jorge António
Fotografia: DR

De acordo com a sinopse do filme, no passado, o epicentro da tragédia é uma fortaleza sinistra, túmulo de revolucionários deportados do continente. No presente, a construção de um resort de luxo desperta a mandíbula implacável da justiça. Pouco depois, começam a surgir cadáveres de operários esventrados. O terror alastra-se num ápice. Pedro Mbala é enviado à ilha para resolver o problema. O alvo dele é uma matilha de cães vadios.
A apresentação do programa global do ciclo, que de hoje a sexta-feira decorre em dias consecutivos e de 16 deste mês a 11 de Agosto, todas às sextas-feiras, às 18h30, no mesmo local, é feita pelo realizador Jorge António, na presença de Miguel Hurst, Sónia Ribeiro, Danilo Fortunato e Paulo Azevedo.
Amanhã, à mesma hora e local, é exibido o filme “Sambizanga” de Sara Moldoror, baseada em Angola, no ano de 1961. Domingos Xavier, um activista revolucionário angolano, é preso pela polícia secreta portuguesa. Xavier é levado para a prisão de Sambizanga, onde acaba por ser submetido a um interrogatório e tortura para extrair os nomes dos seus contactos da independência. O filme é contado a partir do ponto de vista de Maria, a mulher de Xavier, que vai em busca do seu marido em cada prisão, sem entender exactamente o que aconteceu, já que Xavier foi torturado e espancado até à morte. É um filme franco-angolano-congolês do género drama com base na novela “A vida verdadeira de Domingos Xavier” de José Luandino Vieira.
Na sexta-feira, é apresentado o filme “Independência” , uma realização da Geração 80, uma narrativa de uma das lutas de libertação mais longas de África, com uma guerra que durou 13 anos. Durante esses anos, vivemos a luta nos mais diversos cantos em Angola e no mundo. Não éramos só uma geração de jovens com ideias revolucionárias. Éramos homens e mulheres comuns, de várias gerações, de diferentes regiões de Angola e diversos percursos de vida. Esta é nossa memória.
O projecto é uma proposta de promoção, reflexão e discussão em torno da criação cinematográfica angolana no mapa da modernidade e internacionalização artística dos séculos XX e XIX.
O projecto Ciclo de Cinema Messu pretende assumir um papel no desenvolvimento e na promoção do cinema, pela sua enorme riqueza, diversidade e potencialidade ao mesmotempo que estabelece uma visão contemporânea de Angola e serve como mecanismo de apoio à produção nacional para o incentivo à execução de projectos artístico-culturais.

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