A obra multifacetada de Eleutério


3 de Julho, 2015

Fotografia: Paulino Damião

As várias facetas artísticas de Eleutério Sanches são apresentadas no dia 9 às 18h30 no Instituto Camões, em Luanda, numa exposição que reúne em pinturas, desenhos e serigrafias, o vasto trabalho do artista angolano.

A exposição, constituída por 29 obras, ilustra o perfil multifacetado do artista, bem como os vários ciclos em que dividiu e sistematizou grande parte do trabalho, no qual sobressaem obras como “Alquimia da Árvore”, “Elogio da Matéria”, “Elogio do Ritmo”, “Ovo-Óvulo”, “Da Linha”, “Eros Dramático”, “Afro-Drama”, “Pitagorica-Mente”, “Matricial”, “Ludus”, “Teatro Mundi” e “No Princípio”.
A mostra, patente até o dia 23, é também um reconhecimento ao trabalho do artista, enquanto professor, pintor, poeta, compositor e trovador, volta a colocar à apreciação do público a maturidade de Eleutério Sanches para explorar temas abrangentes e diversificados.
O artista explora principalmente os ciclos temáticos marcados pela procura de uma espiritualidade universal e trans-africana, associada à celebração da matéria ou da harmonia e dos seus símbolos, entre os quais sobressaem a árvore, o corpo, o cosmos e a linha.
O escritor e psico-pedagogo Jesus Herrero, que escreveu sobre esta mostra, considera Eleutério Sanches detentor de “uma personalidade multifacetada, que não se limita à simples espontaneidade de uma intuição emotiva”. “O artista procura nas suas obras controlar a interioridade por meio de um discurso estético, através da  luz, dos temas, dos  traço, cores e também do discurso racional dos seus poemas”, salienta.
“O seu olhar de artista, como sujeito biográfico situado num contexto histórico concreto, projecta claridade sobre a vida por meio de um conjunto de visões em torno do homem africano, metáfora e símbolo do homem cósmico e primordial”, afirma o escritor.
“Ele sugere-nos uma teoria interpretativa da arte como forma de  salvação espiritual da vida humana”, conclui Jesus Herrero.
Eleutério Sanches, que nasceu em Luanda em 29 de Setembro de 1935, desde cedo começou a manifestar tendências artística como músico, desenhador e pintor.
Entre 1960 e 1965 participou em várias exposições colectivas, principalmente no Museu de Angola, Palácio do Comércio, actual sede do Ministério das Relações Exteriores, Associação dos Naturais de Angola e Sociedade  Cultural de Angola. Em 1965, foi para Portugal onde se licenciou em pintura na Escola Superior de Belas. Naquele mesmo ano realizou a primeira exposição individual no Palácio Foz, Lisboa. a partir de então expõe regularmente em Portugal, Estados Unidos, Áustria, Angola e Suíça.

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