Cultura

A Rota do Escravo amplia conhecimento

A.Bequengue| Moçambique

A mensagem da directora-geral da UNESCO, Audrey Azoulay, apresentada na quin-ta-feira na Ilha de Moçambique, considera que o projecto A Rota do Escravo, lançado em 1994, tornou possível a identificação das questões étnicas, culturais e sócio-políticas dessa fase dolorosa da História Universal.

Fotografia: DR

A mensagem lida por Djaffar Mousa-Elkadhum, representante da UNESCO em Moçambique, refere que, com o desenvolvimento de uma abordagem multidisciplinar, que vincula as dimensões históricas, memoriais, criativas, educacionais e patrimoniais, o projecto A Rota do Escravo “tem contribuído para o enriquecimento do conhecimento sobre o tráfico de africanos e para a disseminação de uma cultura de paz”.
A UNESCO, de acordo com a mensagem, convida todos, incluindo autoridades públicas, sociedade civil, historiadores, pesquisadores e cidadãos comuns, a mobilizarem-se a fim de aumentar a consciencialização sobre a História, assim como para se oporem a todas as formas de escravidão moderna.

Museu da Escravatura em Moçambique
Um Museu da Escravatura, que vai retratar a história do tráfico transatlântico, vai ser construído nos próximos anos em Moçambique, anunciou ontem na Ilha de Moçambique o governador da província de Nampula.
Victor Borges, que falava para os participantes do colóquio internacional sobre a escravatura, não precisou onde vai ser erguida a instituição sobre a história da escravatura em Moçambique, nem o orçamento.
“É um propósito que tem o compromisso do Presidente da República de Moçambique, Filipe Jacinto Nyusi. Se vai ser em Mussolini ou na Ilha de Moçambique, aguardemos, porque muito brevemente este museu de escravos vai ser construído”, garantiu.
Victor Borges afirmou que Moçambique, em particular a Ilha de Moçambique e a região adjacente, têm sítios e lugares de memória da escravatura bem visíveis, como “a rampa dos escravos”, já reabilitada, que era o local usado para embarque dos escravos nos navios para destinos insertos. “A Ilha de Mo-çambique era uma passagem obrigatória para ludibriar os escravos de forma a não se aperceberem para onde iam, mas muitos deles não chegavam ao destino”, revelou.
O governador de Nampula disse que o Centro de Investigação Arqueológica, afecto à Universidade Eduardo Mondlane, a ser inaugurado em Setembro na Ilha de Moçambique, vai ajudar no trabalho de investigação sobre a escravatura.

Tempo

Multimédia