Cultura

A visão de Van sobre a obra de Viteix

Amilda Tibéria |

O artista plástico Francisco Van-Dúnem “Van” afirmou na quarta-feira, no Camões - Centro Cultural Português, em Luanda, que a sociedade angolano tem feito pouco ou quase nada, quer do ponto de vista gráfico, quer escrito e oral sobre os criadores que já partiram para a eternidade.

Van afirma que nada se tem feito para realçar as habilidades e capacidades do mestre Viteix
Fotografia: Mota Ambrósio|Edições Novembro

Van, que foi o prelector da palestra sobre “Uma visão  holística da vida e obra de Viteix”, quase duas décadas e meia após a sua morte, disse que nada se tem feito para realçar as habilidades e capacidades daquele que é considerado um dos expoentes máximos das artes plásticas angolanas no período pós-independência. 
O palestrante frisou que o homenageado ultrapassou as fronteiras nacionais e espalhou o perfume da sua arte, um pouco pelo mundo. “O facto de me propor, para falar sobre este vulto da cultura  angolana, sinto que estou a dar um contributo a um artista de renome que influenciou toda a minha geração e, de algum modo, contribuiu para o seu nome ser prominente na cultura angolana, na história de Angola, em geral, e na história das artes, em particular”, disse.
Van salientou que as informações passadas aos jovens vão contribuir para que as novas gerações tenham Viteix como uma grande referência, no domínio da criatividade  artística.
O crítico e produtor de jazz Jerónimo Belo, que moderou a palestra, disse à  imprensa que Francisco Van-Dúnem é um artista plástico que foi aluno de Viteix e decidiu que seria importante recordar o mestre, no dia do seu aniversário, por considerar que não tem sido feita a devida divulgação da obra do pintor.
Jerónimo  Belo abordou aspectos especias da vida e da carreira artística de Viteix, que logo a seguir à independência organizou uma exposição de arte, trabalhando com meios precários, deu aulas no Barracão e teve a ideia de enviar os primeiros estudantes para Cuba. “É fundamental existir este exercício de memória, para que a juventude saiba de onde veio e para onde vai, porque nós estamos permanentemente a esquecer das pessoas do passado. Há uma tentativa de branquear a história, relativamente a personagens de certos artistas”,  realçou.
Pintor angolano, Viteix, nome artístico de Vítor Manuel Teixeira, nasceu em 1940, em Luanda e faleceu a 10 de maio de 1993.
Estudou Artes Plásticas em Angola e Portugal, tendo ido depois para Paris, onde concluiu, em 1973 a Maîtrise em Artes Plásticas. Iniciou a sua carreira docente na Escola Industrial de Luanda e após a independência de Angola, o artista orientou o primeiro curso de instrutores de artes plásticas no “Barracão” e, mais tarde, na União Nacional de Artistas Plásticos (UNAP).

Tempo

Multimédia