Aberto o Centro Cultural do Brasil

Roque Silva |
9 de Setembro, 2015

Fotografia: Paulino Damião

A união das culturas angolanas e brasileiras e o movimento artístico em Luanda ganham uma nova dinâmica com a abertura do Centro Cultural Brasil-Angola.

A ministra da Cultura, Rosa Cruz e Silva, referiu segunda-feira, na inauguração do Centro Cultural, um espaço cedido pela Fundação Eduardo dos Santos (FESA), que as relações entre os dois povos entram numa nova fase com um espaço privilegiado de promoção das artes e do reforço da amizade.
A governante disse que as instituições dos dois países são agora obrigadas a ser pragmáticas na concretização dos acordos destinados a relançar o intercâmbio cultural entre ambos os país. Para Rosa Cruz e Silva a abertura do Centro Cultural Brasil-Angola vai “influenciar o comportamento das pessoas em relação ao património edificado no centro histórico de Luanda e permitir a realização de actividades culturais que a sociedade angolana há muito reclamava”.
“Vamos revisitar as relações culturais entre Angola e o Brasil”, declarou a ministra, salientando a necessidade do conhecimento mútuo dos valores culturais que alimentam o desenvolvimento sustentável e a evolução das sociedades.
Para o ministro da Cultura do Brasil, Juca Ferreira, presente na cerimónia, o Centro Cultural Brasil-Angola representa “uma janela aberta para troca de experiências” e consolidação da “longa e frutífera convivência dos povos e culturas no contexto de duas nações soberanas em processo de construção”. Juca Ferreira afirmou que os brasileiros desejam que Angola continue a ser “um símbolo de esperança e de diversidade” e sublinhou que a formação e constituição dos hábitos e do espírito do povo brasileiro “deve-se aos angolanos”, já que “os escravos deixaram uma riqueza maior do que a produzida com trabalho esforçado”.

Acesso à história


O presidente da FESA, Ismael Diogo da Silva, também interveio no acto e referiu que a reintegração de monumentos históricos na vida dos habitantes e no centro da cidade de Luanda vai permitir o acesso à História. “A ideia”, disse Ismael Digo da Silva, “é reintegrar imóveis antigos para preservar a história e a cultura” em benefício da população. “As pessoas devem ter acesso ao passado, num espaço de memórias, onde angolanos e brasileiros, juntos, vão poder enriquecer os seus conhecimentos e ter acesso a riqueza cultural dos dois países.”
Para o embaixador do Brasil em Angola, Norton Rapesta, a inauguração do Centro Cultural Brasil-Angola “impulsiona os dois Estados para novas e profícuas ideias e realizações e desperta para uma nova etapa visando aproximar mais o Brasil das suas conexões históricas com Angola”. Norton Rapesta considerou que aquele centro angolano-brasileiro “renasce como Fénix e retoma o seu devido lugar na cena luandense”, albergando viajantes que partilham fantasias emoções, sonhos, letras e canções.
O Centro Cultural Brasil-Angola funciona no antigo Grande Hotel Luanda, local que abrigou, no início do XX, viajantes que chegavam da Europa e outras nações. O local era de passagem obrigatória e de primeiro contacto com Angola. O Centro Cultural, de primeiro andar, está localizado na zona dos Coqueiros, no Distrito Urbano da Ingombota.

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