Aberto seminário sobre videoarte

Francisco Pedro |
3 de Setembro, 2014

Fotografia: Bia Ferrer

Promover a disciplina de videoarte no país é um dos objectivos do seminário “(V)-JingaLuanda” aberto ontem no Centro de Imprensa Aníbal de Melo, Luanda, no âmbito do II Festival Nacional de Cultura (FENACULT), tendo como base a arquitectura dos edifícios da rua Rainha Ginga, na capital.

O seminário, que termina sábado, é orientado pelo cineasta angolano residente na Holanda Miguel Petchkovsky e pelo videoartista brasileiro Dudão Melo, cuja metodologia inclui três módulos: teórico, visionamento e produção de oito vídeos com a duração de três minutos no máximo.
Os resultados vão ser projectados em sete prédios da rua Rainha Ginga, na baixa de Luanda, nos dias 12 e 13, sendo “o foco de todo o projecto global a componente educativa”, realçou Miguel Petchokovsky.
Aberto a todas as pessoas envolvidas com o cinema e o audiovisual - artistas, fotógrafos, profissionais e estudantes de audiovisual -,  o seminário tem uma carga de três horas por dia, a partir das 9 horas. Segundo Miguel Petchokovsky, essa formação vai permitir que sejam seleccionados trabalhos de autores angolanos para serem divulgados em festivais internacionais, na Europa e na América, respectivamente.
A temática dos trabalhos está relacionada com os prédios e com os habitantes da rua Rainha Ginga. O (V)JingaLuanda é uma intervenção urbana que acontecerá pela primeira vez no espaço público de Luanda. A histórica Rua Rainha Ginga e os seus prédios serão as atracções principais, onde serão  projectados trabalhos de artistas de diferentes partes do mundo.
Todas as atracções serão gratuitas e abertas ao público. Em declarações ao Jornal de Angola, Miguel Petchokovsky disse que a técnica do videoarte é mais abrangente comparada com a do cinema e televisão, que obedece a uma narrativa. O videoarte consiste na desconstrução das linguagens estéticas e não obedece a nenhuma narrativa.
Adiantou ainda que trata-se de uma disciplina que socorre-se de instrumentos tecnológicos para a manipulação do som e da imagem. “No videoarte tudo é possível, sendo uma disciplina artística que engloba todas outras”, afirmou Miguel Petchkovsky. No decurso do seminário, os participantes vão    estudar diversos temas tais como “A origem do videoarte”, “O mercado do videoarte”, “Principais plataformas do videoarte”, entre outros.
Reconhecido a nível internacional como curador e videoartista, Miguel Petchokovsky faz parte da primeira geração de cineastas angolanos cuja carreira tem mais de trinta anos na produção e realização de documentários, bem como na promoção de festivais e mostras de cinema e vídeo.
Desde 2011 que é convidado pelo Festival VídeoGuerrilha, do brasileiro Dudão Melo, para fazer a selecção dos trabalhos projectados nesse festival brasileiro, que decorre em São Paulo.
Dudão Melo, director do VídeoGuerrilha, integra a equipa brasileira da Visualfarm, empresa convidada para o espectáculo de abertura do II Festival Nacional de Cultura (FENACULT), realizado sábado no Estádio Nacional 11 de Novembro.
“Evitar o vício do áudio nas obras audiovisuais, construindo peças em que se destacam as imagens vai ser uma das técnicas dominantes dessa formação”, referiu Dudão Melo, também produtor musical, que pela primeira vez está em África, salientando ser fascinante estar a orientar o seminário em Angola, pois reconheceu a influência da cultura africana na cultura brasileira.

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