Academia de Letras entrou em funções

Kátia Ramos |
16 de Setembro, 2016

Fotografia: M. Machangongo

Maior atenção ao factor cultural, em particular a angolanidade, é um desafios que a ministra da Cultura, Carolina Cerqueira, deixou ontem no Memorial António Agostinho Neto, em Luanda, para a direcção da recém-formada Academia Angolana de Letras.

Para a ministra, a associação criada é um reconhecimento aos homens das artes e a todos os ajudaram a elevar a literatura e os estudos sociais a um nível mais amplo. Carolina Cerqueira considera a identificação das características dos angolanos um desafio determinante para encontrar o conjunto de passos com vista à consolidação da Nação.
Além disso, pediu também apoio destes intelectuais das letras e ciências na maior salvaguarda e divulgação dos valores morais, “num momento em que registamos a sua quebra acentuada e precisamos de reflectir sobre o rumo a tomar no processo educativo e de socialização das famílias”.
Outro desafio que a ministra propôs é a ajuda na introdução das línguas nacionais no sistema de ensino, que o Executivo começou já a implementar e actualmente os intelectuais são chamados a contribuir. “Os resultados são mais animadores quando as crianças têm acesso à educação na sua língua materna”, justificou. Um último desafio que apresentou para a nova Academia Angolana de Letras é a de se elaborar o padrão da língua portuguesa, através da definição da gramática e do léxico. “São quatro desafios importantes.” Carolina Cerqueira destacou ainda o facto da Academia Angolana de Letras ter sido proclamada no Dia Internacional da Democracia, que este ano se celebra sob o lema “Fortalecer a Democracia é condição essencial para alcançar o desenvolvimento sustentável até 2030”. “É indiscutível o papel das letras angolanas na promoção e preservação das conquistas democráticas, podendo os membros desta academia contribuir para o processo de democratização em curso no país, fazendo ouvir a sua voz em prol das políticas públicas de inclusão social e na mobilização dos cidadãos para a acção cívica”, disse.
A Academia é formada por 43 membros, entre escritores de renome e investigadores das ciências sociais, cujos trabalhos foram publicados em antologias e noutros trabalhos colectivos, que são estudados em várias partes do mundo.
Durante o acto de proclamação, o presidente da conselho de administração da Academia, Boaventura Cardoso, aproveitou para renovar o compromisso dos membros de trabalharem mais na dignificação das línguas nacionais, honrando o génio criador e inventivo dos angolanos, com base nas gerações precedentes.
Além de Boaventura Cardoso, a Academia é constituída por Artur Pestana “Pepetela”, presidente da Mesa da Assembleia Geral, Henrique Guerra, presidente do Conselho Fiscal e Paulo de Carvalho, presidente do Conselho Científico.

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