Cultura

Acordo ortográfico requer mais diálogo

Mário Cohen

O presidente da 7ª Comissão da Assembleia nacional, Nuno Albino dos Anjos “Carnaval”, disse que a ratificação do acordo ortográfico em Angola é ainda um processo em curso porque requer um maior diálogo entre todos os representantes, do ponto vista político, literário e linguístico.

Nuno dos Anjos “Carnaval” quer a intervenção de todos
Fotografia: João Gomes | Edições Novembro

Para Nuno dos Anjos “Carnaval”, a ratificação não é apenas um assunto de natureza política, mas também científica, que precisa ser estudada por especialistas de diversas áreas do saber, para, no final, o país definir a sua posição quanto ao assunto.
O político, que visitou, recentemente a sede da União dos Escritores Angolanos (UEA), com uma delegação da 7ª Comissão da Assembleia Nacional, considera a ratificação um assunto que requer a opinião de todos, por se tratar de uma alteração cujos efeitos vão-se reflectir até as próximas gerações.
Para Nuno dos Anjos “Carnaval”, é importante que o Executivo dê maior apoio à cultura, sobretudo instituições capazes de fazerem a diferença neste domínio. “Temos de dar autonomia às associações culturais e aos seus agentes, de forma que estas possam exaltar a identidade nacional, de forma condigna”, disse.
Por sua vez, o presidente da mesa da assembleia da UEA, Luís Kandjimbo, considera o assunto controverso e “Angola deve analisar bem se pode ou não aderir, devido ao risco de corrupção de alguns termos linguísticos nacionais, já enraizados na própria identidade dos angolanos.”
Actualmente, destacou, é frequente a influência do acordo ortográfico em livros de alguns dos autores nacionais, editados em Portugal. “Um exemplo claro é a palavra kota que escrevemos com k, mas após a edição vêm escrita com c. É uma clara perda da identidade”, criticou.
Alguns escritores como Pepetela, cujos títulos são impressos em Portugal, também já mostraram o seu descontentamento com os “efeitos” do acordo ortográfico nos seus livros. Uma incongruência foi como descreveu, numa entrevista dada ao Jornal de Angola. “(...) As línguas evoluem, mas eu não apoio essa nova versão”, defendia Pepetela.

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