Actriz britânica pede mais igualdade


27 de Setembro, 2014

Fotografia: AFP

A actriz britânica Emma Watson pediu que os homens se unam à luta pelos direitos das mulheres e conseguiu com isso desencadear uma onda de apoio em todo o mundo, inclusivamente de colegas famosos e políticos.

Emma Watson, 24 anos, célebre pelo papel de Hermione na série “Harry Potter”, que fez o seu primeiro grande discurso como embaixadora da Boa Vontade da Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova Iorque, lançou a campanha “HeForShe” (“ElePorEla”) destinada a unir homens e mulheres na procura pela igualdade de géneros.
A iniciativa, que exorta os homens a juntarem-se à luta contra a violência e a discriminação de mulheres, conseguiu que mais de 70 mil se registassem pela Internet, refere o site da campanha.
O objectivo é mobilizar mil milhões de homens em 12 meses.
“Espero que todos possamos finalmente mudar leis e mentalidades para poder fazer valer o que não é mais do que bom senso”, escreveu Emma Watson na sua conta no Twitter.
À medida que a campanha de solidariedade ganhou dimensão, homens de todas as profissões comprometeram-se a “agir contra todas as formas de violência e discriminação de que são alvo as mulheres”, sublinhou.
Simon Pegg, conhecido por interpretar Scotty na nova série de filmes “Caminho das Estrelas”, escreveu na sua página: “marido de uma mulher, pai de uma filha, filho de uma mãe. Podem ter certeza que sou solidário”.
Os organizadores elogiaram o discurso de Emma Watson pelo impacto que causou e pelo aumento no número de participantes na campanha.
“Estamos todos muito sensibilizados pelos números. O discurso de Emma foi muito convincente”, disse Elizabeth Nyamayaro, assessora da directora executiva da ONU Mulheres, Phumzile Mlambo-Ngcuka, à Fundação Thomson Reuters. Actores como Tom Hiddleston, Russell Crowe, Simon Pegg e Matthew Lewis, que interpretou Neville Longbottom na série de aventura “Harry Potter”, publicaram fotos nas suas redes sociais a apoiar o programa de luta contra a violência e a discriminação das mulheres.

Ideias do discurso

O discurso da actriz britânica sobre os direitos da mulher proferido na ONU foi compartilhado por milhões de pessoas nas redes sociais e gerou reacções extremas como ameaças de publicação de fotos suas nuas na Internet.
As palavras de Emma Watson são tão bem recebida como criticadas em muitas comunidades em todo o mundo. O feminismo, para Emma Watson, não deve ser uma luta apenas sexista:
 “Ser feminista não significa odiar homens. Quanto mais falo de feminismo, mais entendo que lutar pelos direitos das mulheres se tornou, em muitos casos, sinónimo de odiar os homens. Se tenho certeza de uma coisa é que isso tem de terminar.”
“Se não se obriga um homem a acreditar que precisa de ser agressivo, a mulher não é submissa. Se não se ensina a um homem que tem de ser controlador, a mulher não é controlada. Quero que os homens se comprometam a fazer com que filhas, irmãs e mães se libertem do preconceito e que os filhos sintam que podem ser vulneráveis, humanos e uma versão mais honesta e completa deles próprios”, disse.
A actriz afirmou ser privilegiada por ter tido pais que não a amaram menos por ser menina. “O feminismo, por definição, é acreditar que tanto os homens como as mulheres devem ter direitos e oportunidades iguais. É a teoria política, económica e social da igualdade de sexos”.
As feministas, referiu, são actualmente vistas como anti-homens, agressivas e pouco atraentes. “Mereço o mesmo respeito que um homem, mas lamentavelmente não há um país onde todas as mulheres tenham esse direito. Se não fizermos nada hoje hão-de passar 75 anos, talvez 100, para uma mulher receber pelo mesmo trabalho o mesmo salário de um homem. Mais de 15 milhões de meninas são forçadas a casar nos próximos 16 anos, mesmo sendo ainda meninas”, lamentou.

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