Actriz Helen Mirren volta a ser Isabel II


13 de Março, 2015

Fotografia: AFP

Depois de ter interpretado Isabel II no filme “A Rainha” (The Queen, 2006), realizado por Stephen Frears a partir de um argumento de Peter Morgan, Helen Mirren voltou a vestir a pele da rainha de Inglaterra na peça “The Audience”, que reconstitui as audiências que a monarca concedeu a sucessivos primeiros-ministros ao longo dos mais de 60 anos que leva no trono.

A peça, que está a fazer sucesso em Londres e vai estrear-se este domingo na Broadway, em Nova Iorque, foi escrita por Peter Morgan, que assim volta a colaborar com Mirren num projecto que envolve Isabel II. Se o filme de Frears se centrava no período em que a família real britânica teve de lidar com a morte de Diana, princesa de Gales, “The Audience” aborda todo o seu reinado através dos célebres encontros das terças-feiras à tarde entre a rainha e o chefe do Governo.
Autor de vários argumentos para filmes históricos, Peter Morgan estreou-se como dramaturgo com a peça Frost/Nixon, depois adaptada ao cinema no filme homónimo de Ron Howard.
“The Audience” começa com um funcionário superior da rainha explicar à assistência: “Todas as terças-feiras, aproximadamente às 18h30, a rainha do Reino Unido tem um encontro privado com o seu primeiro-ministro”.
E acrescenta: “Não é uma obrigação, não está previsto na  Constituição, é uma cortesia do primeiro-ministro para pôr sua majestade ao corrente” dos assuntos de Estado. A peça prossegue depois com uma versão ficcionada dos diálogos que Isabel II manteve com nove dos 11 primeiros-ministros que conheceu desde 1952, quando sucedeu ao seu pai, Jorge VI, num período em que Winston Churchill chefiava o Governo.
O homem que liderou o Reino Unido durante a II Guerra Mundial foi o primeiro de uma longa lista de chefes de Governo que despacharam com Isabel II. Contando apenas uma vez Harold Wilson, que ocupou o cargo em dois momentos distintos, Margaret Thatcher foi a oitava, Tony Blair o décimo, e o primeiro-ministro actual, ­David Cameron, é o 12º da lista. Peter Morgan fez investigação histórica para escrever esta peça, mas o teor das conversas com a rainha teria sempre de ser especulativo, já que os diálogos foram sempre entendidos como confidenciais por ambas as partes, e nenhum dos intervenientes tomava quaisquer notas durante as reuniões.
“Este pacto de confiança e silêncio entre o primeiro-ministro e a soberana é mesmo respeitado”, garante Morgan, a­crescentando ser voz corrente que a maior parte dos chefes de Governo nem sequer com os respectivos cônjuges falavam das conversas de terça-feira com Isabel II.
Helen Mirren, a quem foi concedido em 2003 o título honorífico de Dama do Império Britânico, encontrou a rainha em diversas ocasiões formais, mas diz que para este papel tentou concentrar-se em imagens de arquivo que mostram a filha de Jorge VI antes de subir ao trono. “Quis perceber que pessoa ela era antes de aquele manto lhe tombar nos ombros”, explica a actriz.

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