Actrizes continuam sem protagonismo


16 de Fevereiro, 2015

Fotografia: Reuters

O mais recente estudo do Center for the Study of Women in Television and Film (CSWTF) mostra que quatro por cento dos filmes produzidos em Hollywood são protagonizados por actrizes, um aumento significativo em relação a 12 anos atrás.

Apesar de as próprias actrizes estarem a subir o volume das suas críticas às disparidades de género em Hollywood, a diminuição, destaca o estudo, foi acentuada. “Há um desligamento ou uma distância crescente entre o que podemos perceber como sendo o actual estatuto das mulheres no cinema e o seu verdadeiro lugar. Um punhado de casos muito mediáticos pode entortar a forma como pensamos”, avisa, citada pela revista “Variety”, a directora do CSWTF e autora do estudo anual, Martha Lauzen.
O levantamento abrange 23 mil papéis em 100 filmes e não só conclui que há um problema de protagonismo para as actrizes, mas também outros subjacentes. A pesquisa inclui ainda a diversidade racial, já que só 11 por cento de todas as personagens interpretadas por actrizes em 2014 nos filmes de Hollywood eram negras e só quatro por cento eram latinas ou asiáticas.
Em Hollywood, a maioria dos homens também tendem a ser mais representados como trabalhadores, com 85 por cento das personagens a terem profissões facilmente identificáveis no filme contra 75 por cento para as mulheres. O estudo demonstra ainda que 58 por cento das personagens femininas foram identificadas pelas suas funções na vida pessoal (mães, mulheres, namoradas) contra apenas 31 por cento  dos papéis masculinos. “É uma pena que estas crenças continuem a limitar a relevância da indústria no mercado actual”, lamenta Martha Lauzen. Em 2014, o ano em que Cate Blanchett aproveitou o discurso de vitória do Óscar de melhor actriz para lembrar que os filmes realizados por mulheres não são sucessos nas bilheteiras, houve então menos três por cento de papéis principais femininos no cinema americano de sucesso do que em 2013.
“As candidatas a um potencial Óscar de actriz secundária não estão mais protegidas do risco de desaparecimento dos papéis que lhes dão trabalho”, disse, acrescentando que o estudo mostra que entre as personagens secundárias nos mesmos filmes só 29 por cento foram para mulheres. No que toca às idades, tema amplamente discutido quando em Outubro Renée Zellweger, de 45 anos, viu o seu rosto examinado ao milímetro pela Internet e que esta semana voltou a ser convocado para a discussão graças às feições de Uma Thurman, de 44 anos, o cenário não favorece as actrizes.
O estudo do CSWTF foi publicado no mesmo dia em que Uma Thurman foi fotografada na apresentação da sua nova série de televisão e estava diferente. “Parece que ninguém gostou da minha maquilhagem.” Apesar das explicações, já se tinha gerado um novo debate sobre a pressão sofrida pelas actrizes na indústria, que parece glorificar a eterna juventude feminina e actualmente os dados recolhidos sobre os filmes mais rentáveis de 2014 parecem corroborar uma dessas teses sobre as quais as actrizes com mais de 40 anos têm opções limitadas para trabalhar.
De acordo com as contas feitas pelo centro da Universidade Estadual de San Diego, no cinema elas são mais jovens do que eles, porque 53 por cento das personagens femininas estão na casa dos 20 ou 30 anos e a mesma percentagem é válida para os papéis masculinos, só que eles encarnam personagens de 40 anos.

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