Cultura

Agente entre o mundo dos vivos e os espíritos

Manuel Albano |

O Museu Nacional de Antropologia cujo propósito é dar a conhecer as múltiplas peças existentes na instituição, com o projecto “Peça do Mês”, escolheu em Março a máscara “Ndemba”, que durante 30 dias foi a atracção dos visitantes durante visitas guiadas, no prosseguimento da rotatividade a oferecer às suas colecções.

Acervo do Museu Nacional de Antropologia é bastante visitado por cidadãos nacionais e estrangeiros
Fotografia: Domingos Cadência | Edições Novembro

O projecto, onde regularmente pretende assegurar a divulgação do acervo cultural para fins educativos, principalmente às novas gerações, tem recebido a visita de muitos estudantes e estrangeiros interessados em conhecer melhor a cultura dos povos angolanos.
Para esta edição, o Jornal de Angola, apresenta como proposta a máscara “Ndemba”, pertencente ao grupo etnolinguístico Bakongo, feita de madeira e ráfia, representando uma figura humana com gorro em mabela ornada com barba de ráfia, pintada de preto, branco, vermelho, verde e azul.
Uma das características da cultura Bakongo é a sua representação policromática e expressão profundamente realista. A máscara Ndemba é uma das mais belas produções deste grupo etnolinguístico.
Utilizada em cerimónias de rituais da circuncisão, ela tem a função de testemunhar a transição dos circuncidados dum estádio de total ignorância para aqueles indivíduos com estatuto socialmente reconhecido.
Como todas as máscaras utilizadas nos rituais, Ndemba é o elemento intermediário entre o mundo dos vivos e o dos espíritos, através da dança e da teatralização das cenas do quotidiano dos seus elementos.
O seu uso é interdito às mulheres e aos não circuncidados sob risco de morrerem, uma vez que quem se encontra nesta situação é considerada inferior, não gente, inculto e ignorante dos segredos da vida.
Ligado à parte superior da máscara (a cabeça) existe um fato, elaborado de vegetais, designado genericamente por Nkisi Nkanda. A circuncisão no meio deste grupo social pode acontecer por dois processos: (Loongua e Mohoodi).
No primeiro processo a criança do sexo masculino é internada no campo da circuncisão, Nkanda, onde permanece de seis a doze meses. Aí lhe são ministrados os ensinamentos da vida quotidiana e da prática sexual.
No segundo caso, Mahoodi é um processo que revela bastante os traços de um convívio com processos mais modernizados. A idade em que a criança é submetida à operação é muito inferior e os pais podem intervir no curativo.

 
Um legado a conservar

A chefe de departamento de Museologia e Conservação do Museu Nacional de Antropologia, em Luanda, Evelize Njinga, disse que a ideia do projecto “A Peça do Mês” é continuar assegurar a divulgação do acervo cultural para fins educativos  e pesquisas, sobretudo para estudantes nacionais e turistas e estudiosos estrangeiros.
A responsável reconheceu a importância do projecto de divulgação das peças do Museu Nacional de Antropologia, que tem ajudado a aumentar o nível de conhecimento dos angolanos e estrangeiros, sobre os espólios etnográficos que descrevem o quotidiano dos diferentes grupos etnolinguísticos de Angola.
Localizado no bairro dos Coqueiros, na Baixa da cidade, o Museu Nacional de Antropologia está parcialmente aberto ao público, por motivos de obras de melhoria da sua estrutura física.

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