Cultura

Agentes culturais querem incentivos

Estácio Camassete | Huambo

Os produtores e agentes culturais no Huambo lamentam o fraco apoio recebido para desenvolver projectos artísticos em todas as vertentes, situação que tem desmotivado alguns jovens.

Huambo carece de projectos como o Festival Nacional de Poesia
Fotografia: Arimateia Baptista| Edições Novembro

Esta falta de apoio leva à estagnação do sector da Cultura na província. Chico Pobre, poeta e produtor cultural, afirmou ao Jornal de Angola que embora existam iniciativas, os apoios são exíguos, o que em nada contribui para a sustentabilidade dos artistas.
Mesmo assim, “a cultura no Huambo está de pé, apesar de necessitar de investimentos”, disse Chico Pobre, que defende a criação de uma rubrica financeira no Orçamento Geral do Estado que permita a atribuição de verbas para os agentes culturais no sentido de auxiliar a divulgação de trabalhos artísticos, garantindo a sustentabilidade dos criadores.
A falta de incentivos “mata a capacidade criativa dos artistas”, apesar de a arte ser “uma aptidão natural”, mas sem apoio “perde qualidade e dificilmente cumpre com as suas funções”, apontou.
Chico Pobre destacou que o sector da Cultura já teve momentos brilhantes, há cinco ou mais anos, numa altura em que a província acolhia manifestações artísticas e culturais. />A cantora Bela Esandjo referiu que a falta de apoios agudizou-se desde a morte do empresário Valentim Amões, que apoiava os cantores do Huambo, “uma realidade que não devemos omitir”. Actualmente, a classe não conta com o auxílio de instituições públicas ou privadas, pois “cada artista grava com o seu próprio esforço e fundos”.
Por sua vez, o director do Gabinete Provincial de Cultura, Turismo, Juventude e Desporto, José Albano Manuel, considerou que “a cultura deve ser vivida em todos os momentos, ressaltando a vivência dos antepassados que deve ser divulgada às novas gerações”, pelo impacto que tem na sociedade.
“A cultura possui um dos elementos constituintes do substrato de unidade nacional, sendo factor essencial na afirmação da soberania do país e promoção do desenvolvimento”, disse.
No Huambo, a jornada do Dia da Cultura Nacional, assinalado a 8 de Janeiro, incluiu visitas a monumentos e sítios históricos, palestras e uma feira de artesanato e artes plásticas.

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