Cultura

Agostinho Neto liderou pela presença e honestidade

Edna Dala

A viúva do primeiro Presidente de Angola afirmou ontem, em Luanda, que Agostinho Neto “liderou pela palavra, exemplo, presença, comunicação e honestidade”.

Agostinho Neto foi uma figura incontornável na luta de libertação nacional
Fotografia: DR

Maria Eugénia Neto falava na cerimónia de lançamento do livro “Augusta Conchiglia fotografa Agostinho Neto”, com fotos inéditas do primeiro Presidente de Angola.
Durante a cerimónia, que decorreu no Memorial António Agostinho Neto, Maria Eugénia sublinhou que as fotos mostram que a guerrilha foi feita pelo povo, uns descalços, outros calçados, uns velhos, outros novos, homens e mulheres.
“É o povo que trabalha e vence todos os dias a pobreza, a ignorância, a doença e a descrença.Temos de voltar à raiz da, ou seja libertar Angola da pobreza, do analfabetismo, da desigualdade, da tristeza e da incerteza de não saber como será a vida amanhã”, enfatizou.
Maria Eugénia Neto acrescentou que os angolanos não lutaram para voltar a sofrer. “É preciso mudar e dividir o que há por todos. Era assim na guerrilha, onde o funji era partilhado e as canções cantadas por todos”, acentuou.
Destacadas figuras da política angolana, como Lopo do Nascimento, Roberto de Almeida, Rodeth Gil, Luzia Inglês, Julião Paulo “Dino Matross”, Marcolino Moco, Luísa Damião, marcaram presença na cerimónia.
O livro, com mais de 100 registos fotográficos, retrata Agostinho Neto, companheiros de armas e família durante os anos de luta de libertação nacional e no período pós- independência. Algumas foram feitas em 1968, quando Augusta Conchiglia efectuou uma reportagem nas zonas de guerrilha, no leste do país.
Alguns registos mostram Agostinho Neto ladeado das filhas em tenra idade, destacando-se também Henriques da Silva, Luzia Inglês (com arma às costas), Dino Matross, Pascoal Luvualo, Bela Rodrigues, Saydi Mingas, entre outras figuras.
O livro, intitulado “Augusta Conchiglia fotografa Agostinho Neto, da guerrilha aos primeiros anos da independência”, tem como objectivo recuperar as fotos históricas tiradas na época, em que havia poucas pessoas para captar esses momentos.
Em declarações ao Jornal de Angola, Augusta Conchiglia considerou o trabalho um testemunho e lembrou, com orgulho, que cinco das fotografias tiradas em 1968 foram utilizadas para o primeiro kwanza, a moeda nacional, obtida numa conferência regional no interior do país.
A jornalista conheceu Agostinho Neto em Roma, por onde costumava passar quando viajava para a Eu-ropa do Norte, porque, na época, os países ocidentais não davam asilo aos dirigentes dos movimentos de libertação, apenas a alguns refugiados que saíam de Portugal. “Em 1967, tive a oportunidade de o conhecer melhor, depois de nos encontrarmos em Dar-es- Salam, onde fizemos fotos da representação do MPLA, que congregava um grupo a trabalhar e preparar os guerrilheiros para seguir para a Zâmbia”, disse.
Durante a cerimonia foi apresentado um documentário produzido por Augusta Conchiglia e Stefano de Stefan onde o Presidente Neto interagia com os guerrilheiros.

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