Cultura

Alemanha lidera a produção de obras de ficção na Europa

A Alemanha é o país líder em toda a linha, ou cadeia de produção audiovisual de ficção, a nível da Europa, informou, ontem, o Observatório Europeu do Audiovisual.

Salas de cinema têm estado vazias desde que a pandemia do Covid-19 começou a espalhar-se por vários países pelo mundo
Fotografia: DR

O país é o que mais produz em todos os formatos e em número de horas, enquanto o Reino Unido vem em segundo lugar ao produzir mais séries curtas, e Portugal segue na terceira posição. Nas últimas semanas, muita produção audiovisual está em suspenso, devido o drama da pandemia Covid-19, que a Europa enfrenta afectando todos os sectores da sociedade. Portugal é o terceiro país que mais horas de ficção televisiva produz em toda a Europa, considerado o vilão das telenovelas.
De acordo com o estudo recente - feito em 2018, pelo Observatório Europeu do Audiovisual, a cada ano são produzidos cerca de mil títulos e 13.500 horas de ficção televisiva na União Europeia. Entre 2016 e 2018, o último ano a que se reportam os dados do Observatório, houve uma forte aposta nas séries, a principal responsável pelo crescimento do volume de produção. O reverso da medalha é que o número de telefilmes produzidos caiu significativamente: representam agora 36 por cento dos títulos. Em 2018 produziram-se, em toda a Europa, cerca de mil séries, filmes e novelas.

Estratégia da Alemanha
A Alemanha, o país líder em toda a linha audiovisual, ilustra bem essa tendência, apesar de apostar sobretudo em telefilmes, produziu menos telefilmes e mais séries, com temporadas até um máximo de 13 episódios.
No conjunto europeu, mais de metade da produção em 2018 foi de séries com dois a 13 episódios por temporada (50 por cento das temporadas produzidas são de séries já existentes, ou seja trabalhos de continuidade).
As telenovelas, por sua vez, são apenas 9 por cento da produção mas representam 61 por cento das horas produzidas, mostrando-se particularmente pujantes em Espanha, Portugal, Polónia, Grécia e Hungria.
As novelas catapultam países com populações mais diminutas ou capacidade reduzida de penetração noutros mercados para os lugares cimeiros das listas do Observatório, sobretudo pela quantidade de episódios e horas que representam. É o caso de Portugal, só suplantado pela Alemanha e pela Espanha em número médio de horas produzidas entre 2015 e 2018, com 1225 horas de produção. Em 2018, geraram-se 1.275 horas de ficção portuguesa, sendo que as horas de séries representam menos de 5 por cento desse bolo, ocupado quase exclusivamente por ficção com muitos episódios.
Na UE, os serviços privados de televisão são os principais incentivadores das novelas e as séries são mais encomendadas pelas estações públicas. A fatia de operadores de vídeo “on demand” (no fundo, plataformas de “streaming”) que estão a produzir séries era ainda, em 2018, de apenas 5 por cento, mas o número está a crescer.

Telenovelas
As telenovelas, algumas das quais premiadas internacionalmente, são as únicas que garantem a indústria audiovisual digna desse nome em Portugal numa altura em que a produção de ficção televisiva europeia está em plena luta para aumentar o seu mercado e a sua circulação, e para se afirmar nas novas plataformas de distribuição, ao mesmo tempo que tenta combater a omnipresente produção dos Estados Unidos.
Portugal estava a posicionar-se num outro mercado, o das séries, com o seu primeiro evento internacional dedicado ao sector previsto para Abril, mas o novo coronavírus obrigou a adiar para Setembro a estreia dessa montra chamada “ONSeries Lisboa”. Foi o emergir de uma produção regular de séries, centrada na RTP, que suscitou o interesse europeu, mas esse segmento ainda mal se vê no espelho que o novo relatório do Observatório ergueu frente ao rosto do sector europeu.

Aposta em séries
Os grandes produtores europeus de séries, actualmente, são o Reino Unido, França, Itália e Holanda.  O Reino Unido é o país que mais séries de curta duração produz, o que reflecte a tradição britânica de séries compactas. Que, por seu turno, cada vez mais os canais “premium” e os serviços de “streaming” emulam, sendo um formato rentável e expedito nestes tempos de produção febril para as novas plataformas.
No Reino Unido, “a produção de séries está a aumentar, tal como em Espanha, Polónia e Finlândia”, lê-se no documento do organismo europeu. Em 2018, os britânicos foram responsáveis por 549 horas de séries.
Na ficção europeia trabalharam cerca de 8600 argumentistas e 3600 realizadores entre 2015 e 2018, indica ainda o levantamento, e as co-produções são ainda em número “relativamente baixo mas em crescimento”, representando 13 por cento de toda a ficção feita na UE.

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