Alunos próximos dos museus

Mário Cohen |
19 de Maio, 2015

Fotografia: Santos Pedro

O aumento da interacção entre museus estudantes foi o principal  motivo das visitas realizadas ontem por 50 alunos da Escola Njinga Mbande aos museus Nacional de Antropologia e de História Militar, ambos em Luanda.

A visita, organizada pela Direcção da Cultura e Turismo do Município da Cidade de Luanda, integrada nas comemorações do Dia Internacional dos Museus, faz parte de um programa destinado  a interessar os estudantes pela cultura nacional.
O objectivo da visita foi despertar entre os alunos o interesse pela História de Angola, disse ao Jornal de Angola o responsável pela Direcção de Cultura e Turismo da Comissão Administrativa da Cidade de Luanda.
Pedro Marques lamentou que a maioria dos estudantes do I ciclo de Luanda não saibam onde estão localizados os museus, nem que arquivos tem cada um deles. Os alunos, referiu, demonstram mais interesse por outras culturas, com as quais têm contacto directo por intermédio das novas tecnologias. “É um quadro que tem de ser alterado rapidamente, principalmente entre os jovens, para criarmos uma sociedade assente na cultura nacional, na qual os princípios da identidade estejam patentes”, afirmou.
As peças que mais chamaram à atenção dos estudantes foram  omakwil, funil de madeira com a parte cónico perfurada, ohupa, cabaça grande usada na produção de mahinye ( iogurte) pelos nyaneka humbe, nkanda, máscara de madeira utilizada em rituais pelos bakongos, e a cikunza, outra máscara, igualmente de madeira,  habitual no rito de iniciação masculina dos cokwe.
No Museu de Antropologia há, entre outros objectos, o upi, martelo de madeira usado pelos ovimbundu para triturar cereais, mukupyela, batuque de madeira usado na deslocação das comitivas reais, e a mukwale, pequena espada de ferro, que é o símbolo do poder soberano dos cokwe. No Museu de História Militar os estudantes conheceram um pouco melhor algumas armas.

Valorização

A criação de projectos  concretos para a valorização dos museus deve ser um dos maiores desafios das direcções destas instituições, que continuam ainda afastadas das pessoas, particularmente dos estudantes, disse, ontem, o chefe do departamento do património cultural no Bengo.
César Muginga referiu que a realização de visitas guiadas regulares são decisivas na aproximação entre o público e os museus. Ontem, informou, os estudantes visitaram o Museu da Tentativa, criado em 2011 como tributo a todos que participaram na luta de libertação nacional.
O museu, o único no Bengo, beneficia, dentro de dias, obras de restauro. A instituição, destacou, tem desempenhado um papel mobilizador na preservação da identidade cultural do Bengo.

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