Alvim representa a fundação Sindika Dokolo

Jomo Fortunato |
11 de Maio, 2015

Fotografia: DR

No âmbito do projecto “Roteiros do Futuro”, o Presidente da República portuguesa, Anibal Cavaco Silva,  vai promover a realização,  nos dias 15 e 16 Maio de 2015, da IV Conferência Internacional, sob o tema “Portugal e os jovens – novos rumos, outra esperança”.

Angola é representada no certame pelo artista plástico e conceptor cultural,  Fernando Alvim, Vice-Presidente da Fundação Sindika Dokolo.
Iniciada em 2012, o ciclo de conferências “pretende desenvolver uma reflexão em torno dos grandes desafios que se colocam à sociedade portuguesa”.  Nesta edição, Fernando Alvim vai apresentar, no dia 16 de Maio, uma comunicação no painel “Os jovens e a cultura”,  baseada nos seus trinta e cinco anos de experiência artística, em Angola e no mundo: “A maioria  dos jovens angolanos tem menos de dezoito anos, e a nossa experiência de país saído de uma guerra recente, está a propor, de forma muito dinâmica e eficiente, novos e ousados modelos de gestão cultural, de grande magnitude internacional , que têm tido forte influência nas decisões económicas e nas políticas da juventude do Executivo angolano”, assevera Fernando Alvim.
Os organizadores da conferência defendem a tese segundo a qual “uma nova geração de portugueses desponta numa sociedade marcada pela mudança estrutural, mas simultaneamente pela incerteza sobre o futuro do País. A crise económica de 2008-2013 representou, para Portugal e os portugueses, não só uma das mais graves da sua história contemporânea, mas também a oportunidade de marcar uma viragem, quer nos modelos de desenvolvimento económico e social, quer nos valores e maneiras de pensar que orientam a vida social”, lê-se no texto explicativo.

Conferencista


Filho de Domingos Faria e de Maria da Conceição Alvim de  Faria, Fernando Alvim Faria nasceu no dia 8 de Agosto de 1963, em Luanda. Em 1987 recebeu uma bolsa da Fundação Calouste Gulbenkian, tendo viajado  depois para Bruxelas, mantendo sempre contactos com Luanda e Joanesburgo, cidade onde desenvolveu dois importantes projectos. Em 1990 criou o grupo “Sussuta Bué”, na Bélgica, assim como o “Camouflage”, o primeiro Centro de Arte Contemporânea Africana na Europa. 
Em 2005  iniciou a concepção do projecto da primeira Trienal de Arte e Cultura de Luanda, convidado pelo então Vice-ministro da Cultura, André Mingas, no âmbito de uma filosofia organizacional do Executivo angolano, chefiado pelo Presidente da República, Engº José Eduardo dos Santos.
Enquanto Vice-Presidente da Fundação Sindika Dokolo, Fernando Alvim é um dos principais responsáveis pela divulgação da arte contemporânea africana e angolana, tendo sido igualmente um dos curadores da exposição “África remix”, que percorreu os principais centros de arte do mundo em 2005, e do Pavilhão da África na 52ª Bienal de Veneza, em 2007.
Fernando Alvim é  Vice-Presidente da Fundação Sindika Dokolo, instituição que detém uma das maiores colecções de arte contemporânea africana. Após a realização da primeira exposição individual em Luanda, em 1979, realizou várias mostras em diversos países, como Portugal, França, Espanha, África do Sul, Estados Unidos da América, Brasil, Cuba, Senegal, e Israel.
Fernando Alvim aborda, na plasticidade dos seus temas, a realidade política, social e cultural do continente africano, e das suas guerras. Para além das suas pinturas e colagens, o artista elabora instalações audiovisuais, realizando vídeos, como “Memórias íntimas marcas” (1997), “Morfina” (1997), “I miss you” (2000), “Gela uanga / War and art of elsewhere” (2001), “Kilembe – Tree of Knowledge” (2001) e “Unconscious skin” (2001).

Programa


A cerimónia de abertura da conferência inclui discursos da  Presidente da Fundação Champalimaud, Leonor beleza,  do Comissário das Conferências “Roteiros do Futuro”, João Lobo Antunes, e do Presidente da República Portuguesa, Anibal Cavaco Silva. Seguem as comunicações de Marina Costa Lobo, e Victor Ferreira, com Carlos Azevedo na moderação do painel sobre “Valores e expectativas de uma geração mais qualificada”. Os conferencistas Mário Centeno e Jacqueline O’Reilly, estão no painel sobre “Os jovens e o emprego”, moderado por Joana Branco Lopes, e testemunhado por Miguel Pina Martins. Seguem-se os temas sobre “Os jovens e a cidadania”, moderado por Francisco Maria Balsemão, da Fundação Juventude, tendo como conferencistas, Filipe Santos e Anna Horvath, testemunhado por Miguel Pavão. O painel sobre “Os jovens e a mobilidade”, será moderado por Maria Nunes Pereira, tendo como conferencistas, David Cairns, Pedro Couto Soares, Filipe Santos e Anna Horvath, testemunhado por Bruno Neto. “Os jovens e a cultura” será o último painel, moderado por Júlio Oliveira, tendo como testemunho, Carlos Farinha, e os conferencistas, Fernando Alvim e Francisco José Viegas.

Histórico

Ao longo das três edições anteriores o ciclo de conferências, “Roteiros do futuro”, debateu os seguintes temas: “Desenvolvimento demográfico”, particularmente a problemática da fecundidade e do crescimento populacional, “O posicionamento estratégico de Portugal na balança da Europa e do mundo”, tema em que foram identificadas as tendências históricas e as oportunidades de inserção na economia e nos grandes eixos de desenvolvimento global dos novos caminhos que se colocam a Portugal, no espírito da Democracia, e “A cultura de compromisso e os desafios do desenvolvimento”.

Novos rumos

Portugal pretente alcançar novos rumos no seu diálogo com o mundo,  particularmente com o continente africano, neste caso representado por Angola, um país que tem tido muitos êxitos, na sua relação com as políticas e preocupações com a juventude. Encontrar soluções para os problemas comuns, são as propostas que Fernando Alvim vai levar à IV Conferência Internacional, e encontrar respostas  para: a nova visão do mundo da juventude, o aumento dos níveis de escolarização dos jovens perante os desafios da evolução tecnológica, a emigração dos jovens e a perda de capital humano, como investimento perdido,  o posicionamento dos jovens na vida política, a integração europeia, a mobilidade geográfica e a criação de riqueza, inovação  e empreendedorismo, e analisar até que ponto os jovens protagonizam uma mudança cultural profunda nas sociedades.
A IV Conferência Internacional, Roteiros do Futuro, pretende instaurar o debate sobre estas e outras questões que interpelam o futuro, a  maioria das quais preocupam igualmente os decisores políticos angolanos. A crise em Portugal e o passado da guerra, em Angola, tendem a construir novos rumos e a despertar outras esperanças, na senda da  renovação e do desenvolvimento.

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