Ana Vidigal mostra criatividade em África

Francisco Pedro |
9 de Novembro, 2014

Fotografia: Paulino Damião |

Memória e tempo constituem a base do trabalho da artista plástica portuguesa Ana Vidigal, que depois de 30 anos de carreira considerou a altura certa para mostrar a sua criatividade em África.

Ana Vidigal esteve recentemente em Marrocos, numa residência artística, resultando na produção de telas apresentadas na II Bienal de Casa Blanca, do Centro de Arte Moderna IFITRY.
Agora está em Luanda, onde permanece a sua exposição “Jugular” até ao dia 13, no Centro Cultural Português. “Gostava de expor em África mais cedo, pois tinha mais energia para absorver a natureza e tempo para convívio e conhecer melhor as cidades”, sustentou.
Na sua opinião, é importante que o artista visite outros países porque o mundo é enorme e “a tendência é de aprendermos com as outras pessoas”, e que quando viaja procura absorver tudo.
Além disso, disse que o artista deve ter uma marca, embora tenha reconhecido que o trabalho criativo exige mudanças.
A pintora explora a técnica da colagem há trinta anos e, com acrílicos e óleos, compõe dessa forma os seus trabalhos tendo a tela e o papel como suporte.
Trabalha com quaisquer materiais, e considera que a pintura evolui com o passar do tempo, embora acredite que  todas as técnicas já foram inventadas, e que o prazer da pintura não difere do da colagem.
O artista, disse, nunca deve estagnar, ou acomodar-se, mas sim procurar sempre por pequenas mudanças ainda que comece com influência de um colega. "No fim  acabamos por seguir o nosso rumo, dai conseguimos a nossa marca autoral.”

Exposição “Jugular”

Parte da exposição “Jugular” exposta no Instituto Camões é inédita, sendo concebida especificamente para Luanda. Trata-se da série “30 Anos de Mim Mesma”, formada por 30 peças cujos motivos são livros colados em papel Canson, emoldurados e vidrados.
Nessa série, Ana Vidigal transporta parte das suas memórias que remontam a adolescência, classificando-a como um diário. São livros (colecções) dos anos 70, que pertenciam ao seu pai. A série, que defendeu a venda completa e não separada de nenhuma das 30 peças, contém frases escritas em miniaturas exigindo muita atenção dos observadores. “É um poema que me marcou muito, escrito estrofe por estrofe em cada uma das peças”.
Bastante motivada por trabalhar com objectos “achados e perdidos”, disse Ana Vidigal lembrando uma frase de uma artista brasileira. Em “Jugular” a artista apresenta também a série “Austeridade”, inspirada na crise financeira de Portugal, mas que podem ser adaptados ao público luandense.
A Espanha e o Brasil eram as principais paragens para concluir a sua formação e trabalhar, por reconhecer serem países evoluídos, mas não conseguiu viajar para concretizar o seu sonho.

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