Cultura

Anabela Aya no Super Bock em Stock e na gala do Afrima

Jomo Fortunato

Anabela Aya está nomeada nas categorias de “Melhor Artista ou dueto, “Grupo africano de jazz” e “Melhor cantora do centro de África” da quinta edição do Afrima, com o tema “I love you bué”, do CD de es-treia,  “Kuameleli”.

Autora de “Kuameleli” inicia internacionalização da carreira no mês de Novembro no Super Bock
Fotografia: Paulo Mulaza|Edições Novembro

A cantora foi convidada ainda a participar no Festival Super Bock em Stock, no próximo dia 23 de Novembro, na Avenida da Liberdade, em Lisboa.
Vencedora da edição 2017, do Festival da Canção da LAC, Luanda Antena Comercial, com o tema, “Teu nome é um” e do Prémio da Crítica da edição, 2018, do Top dos Mais Queridos, Anabela Aya revelou o seguinte sobre o início do processo de internacionalização da sua música. “Para além da natural e reconhecida universalidade da minha música, inicia-se a minha presença em palcos fora das fronteiras de Angola, facto que me agrada bastante. A verdade é que me sinto feliz e honrada com os resultados de dois anos de um trabalho intenso e abnegado, com dezasseis anos de estrada. Sigo o meu caminho com  fé e tenho a noção que a minha música está a merecer a atenção de outros povos, o que considero um acontecimento muito positivo. Julgo que valeu a pena todo o esforço e aproveito a oportunidade para agradecer a todos os que tornaram possível a minha modesta ascensão musical.”
A cantora apresentou o CD em concerto realizado no Centro Cultural Português, no passado dia 7 de Setembro, ocasião em que interpretou todas as canções de “Kamueleli”, incluindo uma nova versão do tema, “Mabelé”, do Óscar Neves, tendo sido acompanhada por Kris Kasinjombela, viola baixo, Mário Gomes, guitarra, Nino Jazz, teclas e direcção musical, Dilson Peter, bateria, com participação especial do guitarrista, Carlos Praia.

All África Music Awards
Criado em 2014, o Afrima é um certame anual de entrega de prémios que visa prestigiar os cantores, compositores e DJ’s africanos em diversas categorias,  nas cinco regiões do continente Africano. Os prémios desdobram-se em trinta e seis categorias, dez regionais e vinte e seis continentais, incluindo quatro novas categorias de premiações, “DJ Africano do Ano”, “Melhor Dança/ Coreografia Africana”, “Rapper do Ano” e “Melhor Actor Africano na Diáspora”.

Festival
Iniciando o processo de internacionalização da sua música, Anabela Aya junta-se ao cartaz da edição 2018 do Festival Super Bock em Stock, em Lisboa, que acontece nos dias 23 e 24 de No-vembro na zona da Avenida da Liberdade, com concertos em diferentes espaços com destaque para o Ci-nema São Jorge, os teatros Capitólio e Tivoli, Coliseu dos Recreios, Palácio Foz e Casa do Alentejo.

Kuameleli
A expressividade e ousadia vocal em “Kuameleli” revelam um exercício singular que ultrapassa os limites da nossa circunscrição discográfica e estão próximas do legado histórico do jazz norte-americano no feminino.  Com produção de Nino Jazz, Mestre Freddy, Artur Maia e Munir Hossn, o CD, “Kuameleli”, foi apresentado ao público em Abril de 2018, com um concerto intimista, no Miami Beach, em Luanda. Com 10 faixas musicais, nos estilos afro-jazz, blues e gospel, para além de composições de Anabela Aya, o CD teve a participação de vários compositores, com destaque para Filipe Mukenga, Freddy Mwankié, Sashondel Jofre e Artur Nunes. Estão alinhadas no CD as canções, “Kuameleli”, “Nangobe”, “Caríssimo”, “Teu nome é um”, “I love you bué”, “Tia”, “Mestre Hermeto”, “Oração”, “TicTac” e “Kaumba”. “Kuameleli” condensa a soma de quinze anos de fulgurantes experiências musicais. Diríamos então que, embora contemporânea e numa relação metafórica, a suavidade da voz da Anabela Aya ecoa dos mares bravios da escravatura e dos mistérios seculares da ancestralidade africana. Anabela Aya encarna uma soberba personalidade artística sobre a qual já temos, incontornavelmente, imensas saudades do futuro.

Percurso
Filha de Marcos Manuel Pipa e de Maria João Dias, Anabela Virgínia Dias Pipa, Anabela Aya, nasceu no dia 9 de Se-tembro de 1983, em Luanda. Oriunda de uma família religiosa, iniciou o seu contacto com a música aos cinco anos de idade, ouvindo os cânticos religiosos do coro da Igreja Metodista Independente, Caridade, onde a mãe ainda é professora.
Anabela Aya teve formação vocal na igreja, criando as bases técnicas que depois permitiram a sua versatilidade e propensão para interpretar os géneros: gospel, base da sua formação musical, bossa nova,  soul, r&b, reggae, semba, incluindo o fado. Sempre disposta a cantar para os vários espaços e eventos culturais, de média dimensão, onde é convidada, Anabela Aya já divi-diu o palco com: Maya Cool, Dodó Miranda, Mário Gama, e Nelo Carvalho, Angola, Tânia Tomé, Moçambique, Tito Paris, Cabo Verde, Tricia Boutte e a Banda Gumbo, da Noruega. 
 
Teatro
A representação de pequenas histórias bíblicas, marcou o início de um processo que levou Anabela Aya para o Elinga Teatro, convidada, primeiro, pelo actor Raúl Jorge  Resende de Barros  Rosário, para dar aulas de canto, tendo acabado por  participar na peça, “Guerra é guerra”, dirigida pelo actor Orlando Sérgio. Na sequência, seguiram-se várias  ac-ções de formação na Esco-
la da Noite, em Coimbra, e pequenos seminários com a francesa Brigith Bentolila, e o brasileiro Sérgio Menezes, promovidos pelo Elinga Teatro.

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