Cultura

Análise literária foi tema de debate

“A literatura  alimenta-se de literatura, ninguém pode chegar a escritor se não foi um grande leitor”. Foi desta forma que o escritor José Luís Mendonça recorreu  a uma frase da autoria José Luandino Vieira, para encorajar e incentivar alunos do Curso de Comunicação Social, do Instituto de Ciências Religiosas de Angola (ICRA), a pesquisar mais sobre a literatura angolana, em particular, e africana, em geral.

Projecto de análise literária proporcionou aos estudantes um instrumento de aprendizagem multidisciplinar sobre técnicas de escrita
Fotografia: Miqueias Machangongo | Edições Novembro

O escritor fez esse apelo no final de uma aula de campo sobre Análise Literária, ministrada pelo docente universitário Hélder Simbad André, aos estudantes do ICRA, na União dos Escritores Angolanos (UEA), sobre a literatura em torno da sua obra “Luanda fica longe e outras estórias”.
Com alguma emoção, o escritor agradeceu a forma brilhante e profunda como os estudantes do curso de Comunicação Social conseguiram descrever os seus dados pessoais e a obra em causa. “Já tive o privilégio de ver as minhas obras serem analisadas no estrangeiros, mas no país, confesso ser a primeira vez que tal acção acontece”, reconheceu José Luís Mendonça.
O autor afirmou que viu o seu trabalho reconhecido com tanto primor pelos estudantes, embora reconheceu ainda alguma falta de experiência dos mesmos na análise literária dos seus textos, tendo garantido que futuramente o “país vai seguramente ganhar excelentes e bons críticos literários”, o que mostra a importância de se aposta na formação académica da juventude.
José Luís Mendonça encorajou os estudantes a continuarem com o mesmo exercício, por lhes dar outras valências no campo académico, sobretudo no domínio da literatura angolana e no conhecimento dos seus autores.”Sinto ser necessário que se trabalhe mais no ponto de vida da pronúncia, para isso, é importantes os estudantes desenvolverem alguns exercícios vocais e muita leitura para se melhorar a fala e escrita”, recomendou.
O secretário-geral da União dos Escritores Angolanos (UEA), Carmo Neto, mostrou-se “surpreendido e perplexo”, pela qualidade do trabalho que está a ser desenvolvido nas Universidades angolanas, particularmente, no ICRA, nas disciplinas de Literatura Africana e de Língua Portuguesa.
Com outra impressão digital, sobretudo pelo nível apresentado pelos estudantes, Carmo Neto garantiu que a parceria com o ICRA vai continuar sobre a pesquisa literária de outros escritores nacionais. “Foi uma experiência positiva e bastante profícua, o que nos contraria sobre o trabalho desenvolvido nessas instituições académicas”.

Resultados satisfatórios

O professor das cadeiras de Literatura Africana e Língua Portuguesas do ICRA, Hélder Simbad André, disse que com a troca de experiências se pretendeu desenvolver nos estudantes competências em matéria de análise literária e mantê-los em contacto directo com os escritores, de maneira a criar o gosto pela leitura e permitir deixar um testemunho importante às novas gerações.
A ideia, sustentou, é continuar a desenvolver actividades do género, criando iniciativas que incentivem os jovens ao gosto pela leitura e conhecerem melhor a vida e obra dos escritores angolanos. “É um trabalho desenvolvido com alguma paciência e disciplina para ajudar os alunos a compreender e aprender a fazer um análise literária profunda sobre um determinado texto”.
Durante a aula, os estudantes apresentaram um relatório sobre um levantamento das obras publicadas pelo escritor José Luís Mendonça, identificaram editoras pelas quais o autor publicou os seus livros, conheceram livrarias, supermercados e bibliotecas onde se podem encontrar livros do autor.

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