Cultura

Angola chora Manu Dibango

Mário Cohen

Uma das grandes referências do "music hall" africano e do mundo, o camaronês Manu Dibango é o primeiro artista do continente berço a perder a vida, em consequência do coronavírus.

Fotografia: DR

Residente em Paris, capital da França, com a morte desta estrela África perde de um dos seus melhores filhos que contribuiu muito para afirmação da cultura africana na Europa, e noutras partes do mundo.
Manu Dibango, quer com o seu instrumento predilecto - saxofone - quer com a sua voz, deu inúmeros passos para o desenvolvimento da canção e música instrumental africana, promovendo um diálogo entre o tradicional, o moderno e o contemporâneo da paisagem musical universal.
O saxofonista camaronês deixa um vasto reportório e registo de grandes temas que ficam para a eternidade. Sempre sorridente, foi na madrugada triste de terça-feira, 24 de Março, que desapareceu para sempre aquele rosto alegre e descontraído, fazen-do com que os fãs, admiradores e colegas começassem a chorar a morte do autor de "Makossa".
Houve ainda contradi-ções sobre a morte de Manu Dibango. Enquanto alguns jornais anunciavam a morte, outros contradiziam-na, pa-recendo um "esconde-es-conde de rato e gato", mas é verdade: apagou-se mais uma lenda musical internacional que actuou diversas vezes no nosso país. Era amigo de Angola, por isso, as reacções e sentimento de pesar começam a surgir.
Em nota de condolências, o Ministério da Cultura afirma que a vida de Manu Dibango foi inteiramente dedicada à música, e que ficou conhecido mundialmente com o sucesso de "Soul Makossa", 1972, que entrou para a história do jazz.
O Ministério da Cultura salienta ainda que Manu Dibango deu os primeiros passos num coral religioso de uma igreja, onde a mãe era professora, em que o filho aprendeu a cantar. Em casa, na vitrola (gira-disco) do pai, ouvia músicas francesa, americana e cubana, cujos discos eram trazidos por marinheiros que desembarcavam no porto de Douala, capital económica dos Camarões.
"O instrumentista, de 86 anos, é para o continente africano uma das grandes referências da música africana, da qual Angola não está dissociada. Diante desta perda, o Ministério da Cultura verga-se em sua memória e enaltece o contributo dado à música mundial, em particular à mú-sica africana", lê-se na nota de condolências.
Por sua vez, a cantora gospel Irmã Joly considerou a morte de Manu Dibango como "grande perda para a África, assim como deixou um vazio enorme para os cantores e a música africana". Na sua opinião, Manu Dibango é dos maiores símbolos do "music hall" africano, respeitado pelo mundo, graças à sua dimensão musical com grandes composições que levou a ter muitos admiradores no mundo. Irmã Joly disse ainda que, nesta hora de dor, são poucas as palavras para descrever a grandeza cultural de Manu Dibango. "Partiu um músico, mas as suas canções vão ser ouvidas e tocadas para sempre".
A poetisa Ngonguita Diogo utilizou a sua conta no Facebook para afirmar que é fã incondicional de Manu Di-bango. Aproveitou postar uma foto que fez com Manu Diban-go em 2018, quando o saxofonista esteve em Angola pela última vez, onde actuou com Barceló de Carvalho “Bonga”, no Centro de Conferências de Belas, em Luanda.

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