Cultura

Angola tem novo fundo para projectos culturais

Angola conta, a partir de Janeiro, com um novo fundo para apoiar a diversidade cultural, cidadania e entidade, no valor de 125 mil euros, para promover projectos que contribuam para a criação de postos de trabalho nos sectores culturais.

Iniciativa vai dar visibilidade à produção cultural local e valorizar os artefactos históricos
Fotografia: Benjamin Cândido | Edições Novembro

“Angola é o primeiro país onde está a ser lançado este fundo”, disse, terça-feira, em Luanda, o vice-presidente do Instituto Camões, Gonçalo Teles Gomes, na cerimónia de assinatura do acordo entre a instituição portuguesa e a Aliance Française, os parceiros que vão gerir o financiamento.
A iniciativa, que conta com fundos comunitários, totaliza 700 mil euros e destina-se aos cinco países africanos de língua portuguesa, nomeadamente Angola, Moçambique, Cabo Verde, São Tomé e Príncipe e Guiné-Bissau, bem como Timor-Leste, podendo apoiar projectos num montante máximo de 20 mil euros.
“Tem por base o entendimento que partilhamos com a União Europeia, a Eunic (Rede de Institutos Culturais em Angola) e os seis países da CPLP sobre o papel da cultura como veículo de valores”, assegurou o responsável do Camões, destacando o contributo do fundo para a criação de postos de trabalho e apoio a formação de mais profissionais.
Gonçalo Teles Gomes salientou que os mercados culturais “representam uma oportunidade democrática de criação de valor, relativamente protegida das desvantagens de outros sectores, onde a competitividade é, regra geral, proporcional ao capital disponível”, enquanto na economia criativa e cultural “são, sobretudo, a identidade e a criatividade que contam.”
“O potencial para participação, inclusão e criação de valor económico e social são praticamente ilimitados”, acrescentou Gonçalo Gomes.
Os candidatos podem enviar propostas a partir de 1 de Janeiro, sendo os projectos avaliados trimestralmente durante o período que decorre o concurso, que se prolonga até 30 de Setembro de 2022.
Os projectos serão escolhidos em função de critérios como relevância para os objectivos do fundo (criação de novo posto de trabalho sustentável nos sectores culturais e reforçar a diversidade cultural nos PALOP e Timor-Leste), pertinência para os beneficiários visados, sustentabilidade dos resultados, relação-custo eficiência, podendo ser submetidos por pessoas individuais ou colectivas, públicas e privadas.
O fundo foi criado no âmbito do projecto europeu Procultura (Promoção do Emprego nas Actividades Geradoras de Rendimento no Sector Cultural nos PALOP e Timor-Leste) estimando-se que atinja 400 beneficiários nestes países e gere 800 postos de trabalho até 2023, dos quais 50 por cento, mulheres.
Além do reforço de competências (a nível de criadores, técnicos e gestores), estima-se que o fundo se traduza, também, em resultados a nível da difusão e comercialização da música e artes cénicas, bem como na criação, publicação e difusão de literatura infantil-juvenil nos PALOP e em Timor-Leste.

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