Angola deve beber a experiência de Cabo Verde

António Bequengue |
28 de Janeiro, 2015

Fotografia: Domingos Cadência

As autoridades angolanas, sobretudo da área de Cultura, vivem uma experiência que Cabo Verde concretizou em 26 de Junho de 2009, com a inserção da Cidade Velha na lista do Património Mundial da Humanidade.

O dossier de Mbanza Congo, para a sua inserção na lista de Património da UNESCO, é entregue na sexta-feira, em Paris, na sede daquela instituição.
Uma delegação do Ministério da Cultura parte hoje para a “cidade luz”, com um dossier para convencer o órgão das Nações Unidas, responsável pela classificação e consequentemente a inserção na lista de Património da Humanidade.
Os resultados do processo, disse a ministra da Cultura, Rosa Cruz e Silva, são animadores, tendo em conta os trabalhos de prospecção em todas as áreas que envolvem aquela cidade.
A decisão final da UNESCO apenas deve ser divulgada no próximo ano. A confirmar-se a pretensão de Angola,  Mbanza Congo é o  primeiro património nacional a entrar na lista de património da UNESCO.
Angola deve “beber” da experiência de Cabo Verde cuja decisão da UNESCO põe termo a um projecto com um percurso de uma década e que permite o desenvolvimento daquele que foi o primeiro núcleo populacional surgido na ilha de Santiago, Cabo Verde.
A decisão na entrada da Cidade Velha na lista da UNESCO foi tomada por unanimidade. O processo de candidatura da Cidade Velha, 15 quilómetros a Oeste da Cidade da Praia, arrastou-se por dez anos, mas ganhou somente impulso após a apresentação do dossier à UNESCO em 31 de Janeiro de 2008.
Meses depois, esteve em Cabo Verde uma missão da agência da ONU para avaliar o processo e comprovar as condições da candidatura.
Naquela cidade, o imponente forte, com as antigas peças de artilharia, remete quem a visita para o passado. Mais abaixo, as ruínas da Sé Catedral mostram que esta agora pacata cidade no interior da ilha de Santiago sofreu muitos ataques, principalmente de piratas que, nos séculos XVI, XVII e XVIII, navegavam pelos mares à procura de saques.
A Cidade Velha não fugiu à sina, nem tão pouco à destruição da Sé Catedral, e ainda hoje se conseguem ver provas disso.

África e América

A cidade foi erigida no século XV para servir de ponto de abastecimento ao comércio de escravos entre África e América.
A recuperação do sítio histórico começou nos finais da década de 1980, financiada pela cooperação portuguesa, mas principalmente pela espanhola, que já investiu na Cidade Velha mais de cinco milhões de euros.
Este dinheiro foi aplicado na restauração dos monumentos e casas, bem como na melhoria da qualidade de vida dos seus habitantes. Os habitantes da cidade também aguardavam com expectativa a decisão da UNESCO, sabendo que, mais do que reconhecer o valor histórico, a elevação a Património Mundial da Humanidade lhes permitia melhorar significativamente as condições de vida.
Por ocasião do Simpósio Internacional sobre o Campo de Concentração do Tarrafal, as autoridades de Cabo Verde anunciaram a intenção do Governo de candidatar esta vila do norte da ilha de Santiago também a Património Mundial da Humanidade.
As autoridades condicionaram a candidatura a uma decisão final da UNESCO sobre a Cidade Velha, uma vez que um país não pode apresentar simultaneamente dois locais ao estatuto de Património Mundial da Humanidade.

Novas gerações

Sobre este processo, disse o historiador e embaixador Daniel Pereira: “ não há amanhã sem ontem, o que significa que a Cidade Velha vai ter que ser revelada em cada uma das esquinas do seu percurso histórico”.
“Desta forma, as gerações do presente e do futuro poderão encontrar o elo que as liga ao passado e equacionar os problemas das suas relações com o mundo em que vivem, nomeadamente no que toca à sua integração numa sociedade como a nossa, em constante evolução”, declarou.
O berço da nação cabo-verdiana está agora ao lado das grandes obras da humanidade. A Cidade Velha foi inscrita na Lista de Património Mundial da Humanidade, marcando a entrada de Cabo Verde no inventário internacional de sítios com extraordinário valor universal.

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